Transcrição Episódio 9 Podcast Todos na Web

A transcrição foi levemente editada para melhorar a fluidez e a leitura, mantendo o sentido e a intenção das falas originais.

[Amanda]
Oi, pessoal! Eu sou Amanda Marques, analista de projetos no Ceweb.br. Sou uma mulher parda, de cabelos longos, volumosos e cacheados, castanhos. Estou usando óculos de grau transparente e uma camiseta preta com o logo do Ceweb.br.
Hoje estou aqui com a Su e com o Alê, e vou pedir para eles se apresentarem.
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[Alexandre]
Oi, pessoal, tudo bem com vocês? Eu sou o Alexandre. O meu sinal é feito com os dedos apontados tanto para o queixo quanto para a bochecha.
Eu sou amarelo, tenho cabelos e barba grisalhos, uso óculos de armação preta com formato quadrado, meus olhos são castanho-escuros e estou usando uma camisa preta com a logo do Web para Todos.
Sou arquiteto e também consultor de acessibilidade e inclusão. Sou embaixador do projeto Web para Todos, do Libras ABC, e gestor de projetos dentro da 7.1 Acessibilidade Criativa. É isso.
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[Suzeli]
Eu sou a Suzeli Damaceno. Sou uma mulher branca, de cabelos loiros curtos, estilo chanel, um pouco ondulados. Tenho os olhos castanhos bem escuros e meu sinal em Libras é esse aqui: eu aponto com o meu indicador direito para uma pintinha que eu tenho do lado direito da bochecha e dou uma giradinha. Bem chiquezinho o meu sinal.
Sou especialista em comunicação produtiva e também estou aqui representando o Movimento Web para Todos, como coordenadora do Movimento.
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[Amanda]
Acho que é importante contextualizar o pessoal que está em casa de que estamos aqui no estúdio com dois intérpretes de Libras. Então, em alguns momentos, o Alê vai sinalizar e, em outros, irá falar, pois ele é uma pessoa oralizada. Quando ele sinalizar, os intérpretes de Libras farão a dublagem da voz dele. Só para vocês entenderem que vamos ter essa dinâmica ao longo do episódio.
E hoje a gente vai falar sobre cores que fazem parte do nosso dia a dia. Mas como é que fica uma aplicação que depende exclusivamente de cores para passar uma informação? Como é que a gente faz para respeitar o uso das cores nas aplicações e garantir que todas as pessoas possam entender o conteúdo que está sendo transmitido? É sobre isso que a gente vai falar.
Você já viu um formulário que diz apenas “preencha os campos em vermelho”? Para quem não enxerga cores, essa instrução não serve. Será que as cores estão sendo usadas de forma acessível?
Eu queria que vocês compartilhassem um pouquinho sobre esse tema, sobre o uso de cores.
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[Alexandre]
Bem, sobre essa questão do uso de cores, esse formulário que traz a informação de preencher apenas aquilo que está em vermelho e verde… Existe até aquela convenção de que, se está verde, está aprovado; se está vermelho, está reprovado.
Só que a minha grande preocupação é, por exemplo, com as pessoas que têm algum tipo de daltonismo e não vão conseguir diferenciar essas cores, se é verde ou se é vermelho. Então, nós temos um grande problema aí.
Essa informação também atrapalha pessoas que, de alguma forma, têm algum problema com esse formulário, que às vezes não funciona e apresenta uma informação colorida indicando que algo não está funcionando. Então, a pessoa tem que usar a intuição para saber se aquilo, de fato, está sendo respondido de forma correta.
Quando a gente pensa em formulário acessível, precisamos fornecer essa informação de outra forma, para que a pessoa consiga entender esse detalhamento.
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[Amanda]
E, Su, por favor, pode complementar com o que a norma fala sobre isso?
O Alê já falou, né? Então, a gente não pode — e isso é algo que a norma já traz e que a gente também precisa sempre ter em mente — basear uma única informação apenas em cor.
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[Suzeli]
A gente nunca pode basear uma informação unicamente em cores. E eu sempre gosto de fazer a seguinte analogia: imprima aquilo em preto e branco. Se você não entender, acessível não está.
Então, já de cara, tanto os formulários quanto qualquer outra informação, se aquela mensagem estiver apenas baseada na cor, ela não está acessível para pessoas que tenham algum grau de daltonismo ou que não percebam as cores por diversas razões.
Só para você ter uma ideia da quantidade de gente, existe uma estatística que diz que, a cada 12 homens, 1 tem alguma dificuldade em compreender ou distinguir cores, e 1 mulher a cada 200 também. Essa é a estatística. E, no mundo, a OMS diz que são 350 milhões de pessoas com algum grau, com algum tipo de daltonismo.
Então, acho que já demos uma indicação de que cor não pode ser a única fonte de informação para a gente.
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[Alexandre]
E tem uma coisa interessante sobre essa questão das cores. Por exemplo, eu mesmo, Alexandre, fiz um pequeno teste básico que eu acabei descobrindo há pouco tempo. Sabe aquele teste de cores para pessoas daltônicas, com várias bolinhas verdes e vermelhas e alguns números? O primeiro eu acertei, mas, no resto, eu não estava enxergando os números.
Aí eu falei: “não, tem alguma coisa errada”. Mostrei para minha mãe, para o meu companheiro, para o meu sobrinho, para todo mundo, perguntando: “que número está aí?”. E todo mundo acertava, menos eu. Então pensei: “tem alguma coisa errada comigo”.
E aí eu percebi que era por isso que algumas situações estavam gerando conflito no trabalho. Às vezes eu interpretava uma cor de um jeito, e outras pessoas entendiam outra coisa, o que é diferente. Foi nesse momento que comecei a pensar: “nossa, deve ter alguma coisa errada”. Aí fui entendendo que talvez eu tenha uma deficiência múltipla.
Então, comecei a considerar mais as cores e a importância delas. Tem também aquela situação dos mapas geográficos em que colocam vermelho e verde. Existem recomendações para usar traços verticais, horizontais e outros padrões justamente para diferenciar as informações e facilitar a visualização, principalmente para pessoas daltônicas.
E isso ajuda todo mundo, porque às vezes as cores podem confundir qualquer pessoa. Eu, por exemplo, tenho percebido que, quando você junta vermelho e verde, cria um contraste, um movimento visual que me incomoda muito. Isso me dá uma sensação de leve tontura, por exemplo. É algo que também acontece bastante com pessoas que têm epilepsia.
Teve uma situação em que eu estava fazendo uma reforma, uma decoração no apartamento de uma cliente, e sugeri uma almofada com listras que criavam uma sensação de zigue-zague. E ela falou: “eu não posso com esse tipo de tecido, porque isso me provoca epilepsia, eu vou passar mal”.
Na hora eu pensei: “nossa, até a decoração pode provocar um problema sério de saúde na pessoa”. Então, acho que a gente precisa analisar as cores também.
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[Amanda]
Nossa, você deu esse exemplo do mundo fora do digital, e eu fico pensando nas pessoas que utilizam esses itens decorativos e tudo mais. Enfim, como isso também aparece no conteúdo digital.
É muito, muito interessante perceber que isso pode impactar diretamente as pessoas.
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[Suzeli]
Inclusive para lives, às vezes, as roupas que a gente usa.
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[Amanda]
Isso é verdade. O nosso colega de trabalho até deu a dica para a gente evitar algumas estampas, porque, na câmera, isso atrapalha a percepção e tudo mais.
E como é que podemos conectar as diferentes frentes de acessibilidade com o uso de cores?
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[Suzeli]
Quando a gente fala das frentes de acessibilidade, estamos nos referindo ao pessoal de conteúdo, de gestão, de design e de programação, certo? Como a gente pensaria e encaixaria as funções de cada pessoa nesse campo?
Falando de conteúdo: eu estou ali criando aquele conteúdo que vou colocar no meu canal digital, independentemente de qual seja. Então eu preciso me perguntar: estou usando apenas cor para basear uma informação? Se sim, isso já levanta um sinalzinho de que alguma coisa precisa ser ajustada ou complementada com outro tipo de informação, que não dependa somente da cor. Então, equipe de conteúdo: atenção para isso.
Equipe de design… aí é aquela hora em que eu sei que vai doer no coração. Eu sei que é bonito, visualmente lindo, chique, o tal do cinza, aquela letrinha cinza no fundo branco. É bonito, elegante e tal, mas não dá. Ninguém lê, ninguém consegue entender.
Eu, que enxergo, uso óculos corretivos, sou míope, tenho um pouco de astigmatismo e não consigo enxergar aquela falta de contraste. Não é nem contraste — não tem. Então, equipe de design: a estética é maravilhosa e isso precisa, sim, ser considerado, mas coloquem a acessibilidade como prioridade.
E, para a equipe de programação, também é importante aprender sobre isso. Esses profissionais precisam se atentar a como implementar corretamente a programação dos botões, dos componentes, para que exista contraste suficiente para a pessoa entender quando um botão está ativo, quando está inativo e perceber que houve uma mudança.
Não aquela sutileza, aquela cor quase imperceptível, mas um contraste realmente relevante entre um modo e outro. Isso também é importante.
E a equipe de gestão, que é algo que a gente comenta aqui o tempo todo, precisa garantir que tudo isso funcione. Precisa observar se as equipes de conteúdo, design e programação precisam de recursos adicionais, conhecimentos adicionais, para aplicar tudo isso no trabalho que executam e, depois, verificar se tudo isso está sendo garantido no produto final.
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[Alexandre]
Complementando isso que ela trouxe, essa questão do contraste é muito importante, porque todo o trabalho que a gente faz de produção de conteúdo, de transmissão ao vivo, de lives e tudo mais, normalmente considera o uso de fundo escuro. Eu, por exemplo, uso fundo escuro porque tenho vários amigos surdocegos e também pessoas com baixa visão que conseguem acessar melhor aquela informação dessa forma.
Só que eu descobri há pouco tempo que algumas pessoas também não conseguem ficar olhando para um fundo escuro por muito tempo. Elas preferem um fundo mais claro para ter conforto visual.
Então, mais uma vez, a gente volta naquela ideia de que depende de cada público. Por isso, precisamos oferecer opções, para que cada pessoa possa escolher, com autonomia, qual é a cor mais confortável para ela.
É claro que existem normativas que estabelecem padrões, mas também precisamos lembrar que as pessoas têm necessidades diferentes. Então, uma grande sugestão é justamente essa: dar às pessoas a possibilidade de escolha.
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[Amanda]
Ótimo isso que você trouxe, Alê, sobre a importância de o conteúdo ser adaptável à necessidade e ao conforto de cada pessoa. Porque eu, particularmente, tenho muita dificuldade para fazer leitura de textos longos com fundo branco. Eu preciso do fundo escuro e da letra clara para ter mais contraste e conforto na leitura, para a minha vista não cansar.
Por isso, todos os meus dispositivos são configurados no modo escuro. Assim eu consigo ter muito mais conforto.
E esse exemplo que você trouxe, Suzeli, do fundo branco com letra cinza… gente, eu também sou míope, tenho astigmatismo, e simplesmente não consigo fazer a leitura.
Então, é muito importante a gente se atentar a esse contraste adequado do texto que está sendo escrito — aliás, transcrito, perdão.
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[Alexandre]
Só queria acrescentar uma coisa muito interessante à informação que ela trouxe. Eu, por exemplo, quando entro em sites, sempre clico na opção de contraste, porque isso me ajuda muito. Mas, infelizmente, ainda existem sites de instituições e empresas que não oferecem contraste, não permitem esse ajuste.
E aí, o que acontece quando a letra é muito pequena? Eu preciso aumentar a porcentagem da tela. Só que, quanto mais você aumenta, mais algumas coisas vão diminuindo ou se desorganizando. Aí eu penso: “gente, não consigo”.
Tem momentos em que eu uso óculos escuros para conseguir ficar olhando para o monitor, porque algumas informações começam a me cansar muito. Os óculos escuros me dão um alívio. Então eu fico pensando: será que tem alguma coisa errada? Não sei se é o monitor, se a iluminação está muito forte ou muito fraca.
A gente também precisa considerar que existem momentos diferentes para cada pessoa, momentos em que o corpo está passando por mudanças. Talvez a parte cognitiva esteja mudando, talvez isso se some à idade. Precisamos considerar essas questões, principalmente as geracionais.
Então, acho que temos que pensar em tudo isso, inclusive na questão do contraste, porque o contraste pode ajudar muito a vida das pessoas — ou prejudicá-las. Cada caso é um caso.
Por isso, mais uma vez eu reforço: alternativas, opções para que as pessoas possam escolher aquilo que funciona melhor para elas.
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[Suzeli]
E o bom é que os próprios equipamentos — computadores, celulares e notebooks — já trazem recursos de acessibilidade embutidos que a gente pode acionar. Mas quem produz conteúdo para a web também precisa fazer a sua parte, porque, se não seguir pelo menos o mínimo recomendado e exigido em relação à acessibilidade, não há recurso de computador, notebook ou celular que consiga resolver tudo sozinho.
Esses recursos ajudam, claro, mas não resolvem completamente o problema.
Então, eu acho que a melhor combinação é justamente essa: unir os recursos nativos dos equipamentos com as diretrizes de acessibilidade, que estão lá, super claras, na norma. Essa junção traz mais tranquilidade e mais possibilidade de escolha para as pessoas.
Eu, por exemplo, adoro um fundo verdinho. Uso o fundo preto e o fundo verdinho. Então, qualquer site acessível que eu acesse vai funcionar bem também dentro desse fundo que eu escolhi.
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[Amanda]
Boa. Eu fiquei pensando que, muitas vezes, a cor é usada sozinha para indicar alguma coisa. Como você comentou dos botões: vermelho para cancelar, verde para confirmar.
Quando uma informação depende apenas da cor, o que isso significa na prática?
Acho que o Alê pode falar mais sobre isso agora, principalmente depois dessa descoberta da dificuldade em perceber os números em determinadas cores e tudo mais.
E você, Su, se puder trazer também a perspectiva da norma ABNT sobre esse tema, seria muito bom.
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[Alexandre]
Bem, sobre essa questão das cores para diferenciar quando um botão está ativo ou inativo, muitas vezes os sites não oferecem alternativas ou opções suficientes. E aí fica difícil para a pessoa perceber, por conta própria, se aquele botão está ativo ou não.
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[Suzeli]
A ABNT resolve muita coisa, ajuda bastante, mas milagre ainda não faz. Ainda não chegou nesse ponto.
Mas, mesmo sem fazer milagres, se a gente seguir pelo menos o que está previsto ali, já vai resolver um montão dos problemas que o Alê comentou.
Então, no caso das cores, a orientação é nunca basear uma informação somente na cor. Dá para incluir outras formas de identificação. Inclusive, existe a recomendação de adicionar textos complementares e deixar rótulos bem claros sobre o que é cada campo.
A gente pode até usar algo como “preencha o campo em vermelho”, mas, quando a pessoa olhar para esse campo, ele também precisa apresentar o nome do campo, alguma marcação em volta, algum recurso adicional que permita compreender aquela informação, mesmo que a pessoa não perceba a cor utilizada.
E aí entram também os contrastes bem evidentes.
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[Amanda]
É, isso que eu ia perguntar. E sobre contraste, quais são os requisitos mínimos que a norma traz?
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[Suzeli]
Mínimos, né? Então, para textos em tamanho normal, o contraste mínimo é de 4,5 por 1. Para textos grandes, 3 por 1. Para componentes também é 3 por 1.
Aí você pensa: “ai, meu Deus, vou ter que decorar isso tudo, deixa eu anotar”. Não, calma. Está tudo lá direitinho na norma.
E aí vem outra dúvida: “tá, mas como eu vou verificar isso? É no olhômetro? Como eu vou saber se o contraste está bom? Para mim está, mas para outra pessoa talvez não esteja.”
E a boa notícia é que existe um monte de ferramentas gratuitas disponíveis na web. Tem as pagas também, claro, mas as gratuitas já cumprem muito bem essa função.
Então, quando a gente define as cores, é possível verificar se elas estão atendendo ao contraste mínimo exigido e até se estão indo além do mínimo, o que é muito legal. Essas ferramentas conseguem mostrar se você está no limite mínimo aceitável ou se aquele ajuste pode ficar ainda melhor. Às vezes, mudando um tom, o resultado já fica muito mais confortável e acessível.
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[Alexandre]Ai, gente, por favor, pelo amor de Deus, não criem essa cultura do “é melhor do que nada”.
Não, gente. Coloquem o máximo possível. Isso resolve muito mais problemas e deixa todo mundo feliz. Eu fico muito feliz.
Porque o mínimo… ok, atende ao mínimo, mas ainda continua sendo um incômodo. E, mais do que um incômodo, eu acho que acaba sendo cansativo. Gera um estresse desnecessário para a pessoa.
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[Suzeli]
Essas dicas sobre contraste também servem para os focos visíveis. Sabe quando a gente está fazendo navegação por teclado?
Tem muitas pessoas que utilizam esse tipo de navegação porque não conseguem usar as mãos para navegar, utilizando, por exemplo, uma paleta de boca ou outros recursos assistivos. E eu também uso muitas vezes a navegação por teclado.
Quando um site está acessível, a gente consegue perceber aquele quadradinho, aquele retângulo em volta do elemento onde está o foco naquele momento.
E o contraste disso também precisa ser pensado e adequado. Porque, senão, fica aquele fiozinho tão sutil que você nem consegue perceber onde está. E, às vezes, pior ainda: ele desaparece no meio da navegação.
Então, esse foco precisa ter uma boa combinação de contraste, uma cor adequada e consistência para se manter no mesmo padrão em todas as páginas, sem sumir no meio do caminho.
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[Alexandre]
Sobre essa questão do contraste, uma coisa interessante que eu tenho percebido é que navegar pelo teclado, mudando entre os botões do site, acaba sendo mais fácil para mim do que usar o mouse.
Porque tem horas em que eu fico procurando o ponteiro do mouse e penso: “onde ele está?”. Não encontro. Aí eu começo a usar o TAB e fica muito mais rápido.
E, com isso, eu também consigo criar um padrão de navegação. Assim como uma pessoa cega cria padrões para navegar, existe a questão do contraste, dos números, dos elementos visuais, e você vai aprendendo a reconhecer esses padrões.
Então, isso acaba facilitando muito o meu trabalho, inclusive caso o mouse pare de funcionar ou eu tenha alguma dificuldade com ele.
Por isso eu digo: calma, existem outras formas de trabalhar e navegar. E isso já está me ajudando muito, na verdade.
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[Amanda]
Ótimo, ótimo, ótimo tudo o que vocês trouxeram. Não só o conhecimento técnico, mas também os relatos pessoais. Porque isso tira aquela ideia de que “navegação por teclado”, entre aspas, é algo que só pessoas cegas ou com deficiência visual utilizam.
Não, gente. Todo mundo usa ou vai usar em algum momento. A gente não sabe como a nossa vida vai continuar, o que pode acontecer. Vai que a pilha do mouse acaba, vai que você machuca um punho, ou precisa usar a mão com a qual não tem tanta prática ou dominância.
Então, todo mundo se beneficia da acessibilidade. A gente precisa continuar batendo nessa tecla: acessibilidade é muito importante porque todo mundo faz uso dela, sabendo disso ou não.
Acho que não tem mais o que falar, vocês já falaram tudo.
Mas, antes de encerrar, vou pedir para vocês deixarem uma palavrinha final sobre o que gostariam de compartilhar, principalmente dentro desse tema do uso de cores. E, se quiserem, falem também um pouquinho sobre a importância de estudar a norma para entender tudo isso.
E aí a gente se despede da nossa audiência.
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[Alexandre]
Sobre a questão das cores, eu tenho trabalhado muito com isso, principalmente em mostras, artes plásticas, artes visuais, design… enfim, em todo esse universo mais visual.
Esse mundo colorido é maravilhoso, claro, mas a gente sempre precisa desenvolver esse pensamento de buscar mais informações e entender quais padrões de cores facilitam mais o acesso à informação para as pessoas.
Porque, às vezes, aquela parte colorida, aqueles detalhes, algumas pessoas vão conseguir enxergar e interpretar, e outras não.
Lembra daquela discussão sobre o vestido que algumas pessoas viam azul e branco e outras viam preto e dourado? Eu via dourado, e outras pessoas diziam que era azul e preto. Naquela época eu pensei: “gente, como cada um enxerga de um jeito diferente”.
Então, não dá para simplesmente dizer: “eu quero essa cor porque eu gosto, ponto final”. Não. A gente precisa olhar coletivamente, pensar no padrão, no que facilita o acesso à informação para as pessoas.
Agora, na vida pessoal, no dia a dia, cada um usa a cor que quiser. Mas, profissionalmente falando, quando a gente pensa em atender pessoas e no consumo de um produto, precisamos padronizar certas escolhas para que aquilo fique acessível.
E eu, particularmente, prefiro dar alternativas e opções para que as próprias pessoas possam escolher as cores que funcionam melhor para elas.
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[Suzeli]
Se você colocar apenas a estética como prioridade, provavelmente — pode ser que fique lindo, claro, embora isso nem sempre seja garantido — também pode acontecer de não funcionar para muita gente.
Então, é isso: precisa ser bonito, sim, mas, principalmente, precisa ser funcional para todo mundo.
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[Amanda]
Muito obrigada, Alê. Obrigada, Su. Foi muito, muito bom.
Acho que a gente conseguiu passar essa mensagem de que cores comunicam, mas somente quando são usadas de forma responsável, é claro.
E acessibilidade é justamente garantir que essa comunicação chegue para todo mundo.
Continuem acompanhando a gente. Temos uma série de episódios que, se ainda não foram lançados, serão lançados em breve.
Então, continuem acompanhando e até o próximo episódio de Todos na Web.
Obrigada, pessoal. Obrigada!