Transcrição Episódio 3 Podcast Todos na Web
A transcrição foi levemente editada para melhorar a fluidez e a leitura, mantendo o sentido e a intenção das falas originais.[Reinaldo]
Olá, eu sou Reinaldo Ferraz, especialista em acessibilidade digital do Ceweb.br.
Eu sou um homem branco, de cabelo castanho claro, com uma barba que já está ficando branca. Estou usando uma camisa preta com o logo do Ceweb.br.
Hoje eu vou conversar aqui com duas especialistas em acessibilidade digital, a Cláudia e a Sandyara, e eu queria que elas se apresentassem para a gente começar a nossa conversa.
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[Cláudia]
Olá, eu sou a Cláudia Martin Nascimento.
Eu sou uma mulher de pele clara, com cabelos castanhos escuros mais ou menos na altura dos ombros. Tenho olhos escuros, uso óculos e estou vestindo uma camiseta azul com as mangas em um azul um pouco mais escuro.
Sou designer de formação e trabalho com acessibilidade há mais ou menos 13 anos. Também sou co-fundadora da empresa onde trabalho, que é a Acesso para Todos.
Acho que é isso. Um prazer estar aqui, obrigada.
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[Sandy]
Oi, pessoal! Tudo bom? Eu sou a Sandyara, mais conhecida como Sandy.
Sou uma mulher branca, de pele clara, com cabelos na altura dos ombros e mechas desbotadas na lateral direita. Estou utilizando hoje uma camiseta preta de gola alta com um colar de estrelas.
Atualmente trabalho com design com foco em acessibilidade. Já passei por diversas empresas privadas, principalmente no setor financeiro e bancário.
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[Reinaldo]
Bom, então, a partir de agora eu vou chamar de Clau e Sandy, que aí fica mais fácil para eu continuar aqui.
Hoje a ideia é falar sobre links e navegação. Links já fazem parte da história da web. A web começou por meio de hiperlinks, e é interessante porque, desde os primórdios da web, a gente já tem boas práticas para tornar esses links acessíveis.
Então é isso que a gente vai conversar no nosso bate-papo de hoje.
Para trazer um contexto inicial, existe uma questão muito importante relacionada às barreiras que podem acontecer quando a gente está navegando ou lidando com links.
Vamos imaginar algumas situações. Por exemplo: quando a gente não consegue encontrar links em uma página. Hoje é praticamente impensável pensar em uma página ou em uma aplicação sem links.
Ou então quando existem links de conteúdo que estão lá, mas a gente não consegue encontrá-los. É um cenário hipotético, mas isso realmente acontece — e acontece muito, principalmente com pessoas com deficiência.
Isso pode ocorrer quando os links não usam a semântica correta, quando existem links redundantes ou links pouco informativos. Existem várias boas práticas sobre isso que a gente vai conversar neste episódio.
Para começar, eu queria conversar com a Cláudia, que participou ativamente da construção da norma. Essa questão dos links está relacionada dentro da norma da ABNT, não é, Clau?
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[Cláudia]
Sobre os links: como você falou, Reinaldo, eles são muito importantes para todas as pessoas. Os links ajudam as pessoas a navegarem entre conteúdos e a se localizarem dentro de um conjunto de páginas.
Mas eles são fundamentais para as pessoas com deficiência. Por isso, o uso correto de links é muito importante.
A norma ABNT NBR 17225 traz requisitos e recomendações para esse uso correto de links. Desde a criação da semântica adequada, passando por links descritivos, até mecanismos de ajuda que permitem que os usuários se localizem entre as páginas.
Essas e outras boas práticas contribuem para uma navegação muito mais fluida, intuitiva e fácil para todas as pessoas.
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[Reinaldo]
Sandy, você também conhece bem essa norma. Você quer comentar um pouco sobre ela?
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[Sandy]
Em relação aos links, acho que um dos principais desafios, especialmente no design de experiência, é a confusão entre link e botão.
Quando a gente está numa jornada — principalmente naquele cenário hipotético de páginas sem link ou sem navegação — muitas vezes existe uma confusão sobre a semântica correta e o uso adequado de links. E é justamente isso que a norma busca resolver.
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[Reinaldo]
Isso que você falou, Sandy, é importante, porque tivemos um cuidado muito grande na construção dessa norma para separar claramente links e botões.
Inclusive, temos orientações específicas para isso e também um episódio específico desta série sobre botões.
A ideia aqui é conversar um pouco sobre as barreiras que podemos encontrar na navegação por links.
A primeira delas é justamente sobre links sem marcação semântica e o impacto disso na navegação.
Então eu queria perguntar para a Clau: quais cuidados a gente precisa ter para construir links que sejam efetivamente acessíveis?
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[Cláudia]
É muito importante que os links sejam visualmente identificáveis como links, ou seja, que as pessoas consigam perceber visualmente que aquilo é um link.
Mas também é fundamental que eles estejam bem identificados no código. Isso é essencial porque pessoas que não conseguem ver a tela — e que utilizam tecnologias assistivas para navegar — precisam dessa indicação no código para reconhecer que aquele elemento é um link.
Por isso é tão importante usar a semântica adequada, por exemplo com HTML, utilizando o elemento “a”.
Além disso, links devem ser usados para navegação. Isso que a Sandy comentou é muito importante: é muito comum confundir o comportamento de link com o de botão.
O link deve direcionar o usuário para outra parte do conteúdo ou para outra página.
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[Reinaldo]
Legal. E até falando sobre essa questão de semântica, eu queria que a Sandy explicasse um pouquinho mais o que é essa semântica de links que a gente vai falar bastante aqui nesse episódio.
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[Sandy]
Eu gosto de explicar que semântica nada mais é do que o propósito de um elemento.
Quando a gente fala de links e botões, os botões estão muito mais associados a ações. Já o link está relacionado ao contexto de navegação.
Então, quando estamos falando de onde estamos localizados dentro de uma página, de páginas disponíveis dentro de um menu de blog ou de artigos que queremos acessar, estamos falando de navegação — e, portanto, de links.
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[Reinaldo]
Agora a gente pode passar para outra barreira de acesso: links com descrições vagas ou que não informam corretamente o destino.
Até agora falamos da codificação do link, mas agora vamos falar do conteúdo do link.
Quais são as questões importantes relacionadas às descrições que os links precisam ter para serem mais acessíveis?
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[Cláudia]
Ainda hoje é muito comum encontrarmos links vagos que não indicam claramente para onde o usuário será levado.
Por exemplo: “clique aqui”, “leia mais”, “saiba mais”.
Quando uma pessoa enxerga a tela, ela consegue entender o contexto ao redor do link. Mas quem não enxerga não tem acesso a esse contexto.
Uma pessoa cega, por exemplo, pode navegar pelos links da página utilizando um leitor de tela. Se ela encontra um link chamado “Saiba mais”, ela não sabe para onde vai.
Então ela precisa sair do link, ler o contexto ao redor e só depois decidir se quer acessar aquele conteúdo.
Por isso é muito importante criar links mais descritivos. Em vez de apenas “Saiba mais”, usar algo como “Saiba mais sobre o relatório anual”, por exemplo.
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[Sandy]
Complementando o que a Cláudia disse: eu, como mulher autista, também percebo a importância disso.
Se o link não é objetivo, eu preciso procurar todo o contexto ao redor para entender para onde ele leva. Isso aumenta muito a carga cognitiva.
Então, o link parecer com link e também saber exatamente para onde o link vai me levar facilita muito a navegação.
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[Reinaldo]
Isso é legal. E eu até queria perguntar para vocês, porque a questão do contexto tem muito a ver com com o que foi desenvolvido na norma, já que ela foi baseada nas diretrizes internacionais. E é interessante porque a gente tem duas questões relacionadas com links: uma é o link no contexto e a outra é o link fora do contexto.
Ou seja, uma das orientações que a documentação traz é sobre links em que o próprio texto já deve indicar qual é o destino da página que vai ser acessada. Mas essa questão do “Saiba mais”, quando ele está relacionado a um contexto, também é considerada válida na norma.
Vocês podem explicar um pouquinho melhor isso? Ou comentar qual seria a recomendação nesses casos? O que é melhor fazer: relacionar o link com o contexto ou tentar tornar o texto do link mais claro por si só, como a Sandy comentou?
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[Cláudia]
É muito importante lembrar que a norma e as documentações não proíbem o uso desse tipo de link — como “Leia mais” ou “Saiba mais” — desde que ele esteja realmente vinculado ao contexto.
Então, vamos imaginar que a gente tem uma notícia. Você tem o título da notícia, um resumo e um link “Leia mais”.
O ideal seria deixar o link no título da notícia — esse seria o cenário ideal.
Mas a gente sabe que, muitas vezes, as pessoas, os desenvolvedores, não gostam de fazer isso, porque preferem ter um botãozinho de ação ou um link de ação ali no final do conteúdo.
Então, qual seria o ideal nesse caso? O ideal seria a gente vincular esse “Leia mais” com o título de uma forma programática, ou seja, identificada no código.
A gente pode fazer isso, por exemplo, usando a especificação ARIA. Existe o aria-labelledby, que vincula o link com o título.
Então, quando uma pessoa que navega com leitores de tela chega nesse link “Leia mais”, o leitor de tela vai anunciar para ela o “Leia mais” junto com o título. Assim, ela recebe o contexto completo para entender o que é aquele link e para onde ele vai levar.
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[Sandy]
Vale também entender o contexto — agora olhando muito pelo lado da regra de negócio. Porque eu penso que, se é um link que leva para uma jornada um pouco mais sensível, ou para um documento importante com o qual o usuário precisa interagir, talvez valha avaliar se não seria uma boa prática já colocar no próprio link o redirecionamento completo.
Por exemplo, links como “Termo de responsabilidade” ou “Política de privacidade”. Porque isso, de certa forma, acaba tranquilizando o usuário, já que ele entende claramente para onde está sendo direcionado.
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[Reinaldo]
Legal. E a Cláudia comentou um ponto interessante sobre links de ação. Porque a gente estava falando de links descritivos, que ajudam o usuário a entender para onde o link vai levar.
Mas existe também uma outra questão relacionada à ação de um link — por exemplo, quando ele abre uma nova janela ou uma nova aba. Isso está relacionado a outra barreira, que é quando os links não trazem informação suficiente para que o usuário entenda o que vai acontecer ao iniciar aquela ação.
Então eu queria que vocês comentassem um pouquinho sobre isso. O que seria importante a gente trazer nesses links que executam alguma ação que o usuário talvez não esteja esperando? Por exemplo, quando um link abre uma nova aba ou executa algum outro tipo de ação inesperada para o usuário.
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[Cláudia]
Sempre é muito importante que o usuário tenha informação suficiente para saber o que vai acontecer quando ele clicar em um link.
Então, se um link abre em uma nova guia ou em uma nova janela, a gente precisa avisar isso para as pessoas. Esse aviso pode aparecer em formato de texto antes mesmo de a pessoa clicar no link. Ela precisa saber que vai abrir uma nova janela, porque, se isso acontecer sem aviso, ela pode se perder na navegação, ficar desorientada e até não conseguir voltar usando o botão de voltar do navegador. Então, é muito importante que a gente informe isso.
Da mesma forma, se um link abre, por exemplo, um arquivo para download, também é importante fornecer algumas informações sobre esse link. A gente precisa informar o tipo de arquivo, qual é o formato e também o tamanho desse arquivo.
Assim, as pessoas têm as informações necessárias e conseguem decidir melhor se querem clicar naquele link naquele momento ou não.
Por exemplo, se uma pessoa estiver navegando com o celular na rua, ela pode não ter internet suficiente para baixar um arquivo muito grande. Por isso, é fundamental que a gente sempre forneça informações claras para que todos os usuários consigam identificar o que é aquele link, para onde ele vai levar, o que será aberto e, enfim, se ele vai baixar algum arquivo.
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[Sandy]
Eu acho que é importante, considerando todo esse contexto que a Cláudia trouxe, também aproveitar a combinação de recursos. Talvez usar recursos iconográficos para sinalizar que o link leva para um ambiente externo ou que vai iniciar um download.
Esses elementos visuais, combinados com os recursos textuais, são tão importantes quanto.
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[Reinaldo]
Mas aí eu tenho uma dúvida sobre esse tópico, porque a gente também tem alguns atributos que ajudam a adicionar informações complementares. Por exemplo, o atributo “title”.
Só que ele não fica visível para todo mundo — normalmente a pessoa precisa passar o mouse ou realizar alguma ação específica para que essa informação apareça.
Então, nesse caso, o ideal seria a gente fornecer essa informação de uma forma que fique visível para todos os usuários?
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[Cláudia]
Sim. O ideal é que a informação esteja visível para todo mundo.
E, no caso do atributo “title”, a gente também precisa tomar alguns cuidados. Isso porque muitas pessoas — e até algumas tecnologias — acabam incluindo o “title” de forma automática.
O “title” foi criado para trazer informações complementares ao link. Mas algumas tecnologias acabam inserindo exatamente o mesmo texto do link dentro do “title”.
E aí o que acontece? O texto fica redundante. Porque uma pessoa que navega com leitor de telas vai ouvir o link e, em seguida, essa informação é lida novamente.
Ou seja, ela vai ouvir o texto do link e depois o texto que está no “title”, que muitas vezes repete exatamente a mesma coisa.
Então a gente precisa tomar bastante cuidado para não criar esses links redundantes, porque isso acaba tornando a navegação muito cansativa para quem está usando leitor de telas.
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[Sandy]
Concordo.
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[Reinaldo]
E aí, uma outra questão que a norma traz é sobre links adjacentes na mesma página. Você pode comentar um pouquinho para a gente o que é isso, Clau?
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[Cláudia]
Os links adjacentes são aqueles que ficam um ao lado do outro, mas são links separados que levam para o mesmo destino.
Isso é muito comum de ver em páginas de notícias. Quando temos vitrines de notícias, por exemplo, geralmente aparece o título da notícia, a foto, um pequeno resumo e ainda um link “Leia mais”. Muitas vezes, por questões de implementação, os desenvolvedores acabam transformando cada um desses elementos em links separados.
Então, se a pessoa estiver navegando usando o TAB no teclado, ela vai passando por cada um deles individualmente: primeiro o título, depois a foto, depois o resumo e, por fim, o link “Leia mais”.
O problema é que todos esses links levam exatamente para o mesmo lugar. Isso pode gerar bastante confusão na navegação, principalmente para quem não está enxergando a tela, porque a pessoa encontra vários links diferentes que apontam para o mesmo destino. Além disso, a navegação acaba ficando muito mais longa.
O ideal, na verdade, é evitar esse tipo de link adjacente. Se eles existirem, o melhor é juntar tudo em um único link ou fazer como comentamos antes: colocar o link no título da notícia e vincular o “Leia mais” ao título por meio de atributos ARIA.
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[Sandy]
Senão a experiência fica muito mais repetitiva, para não dizer cansativa, né?
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[Reinaldo]
Agora, uma outra questão interessante — e também importante — está relacionada a links que permitem contornar conteúdos em páginas web. Na verdade, não seria exatamente uma barreira, mas sim um aspecto que a norma aborda.
São aqueles links que permitem pular para determinadas partes da página.
Então eu queria que a Sandy comentasse um pouquinho sobre a importância desses links e sobre como eles ajudam o usuário a saltar para áreas específicas dentro de uma página.
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[Sandy]
Perfeito!
Esses tipos de link são aqueles com os quais as pessoas acabam tendo contato ao longo da navegação nas páginas. São os famosos links de “ir para” — como “ir para o conteúdo”, “ir para o rodapé” ou “ir para o menu”.
Eles são extremamente importantes para quem usa leitor de tela ou para quem navega pelo teclado, por exemplo, por ter alguma mobilidade reduzida. Esses links permitem que a pessoa tenha mais controle sobre a navegação e escolha a partir de qual ponto quer acessar o conteúdo da página.
Vou dar um exemplo de um site de jornal, como a gente comentou aqui. Normalmente, o menu de navegação desses sites é bem extenso. Mas às vezes a pessoa só quer acessar o conteúdo principal — ver a primeira notícia, a manchete e assim por diante.
Então, esses links de salto de bloco permitem exatamente isso: que a pessoa pule diretamente para as áreas mais relevantes da página, dando muito mais autonomia na navegação.
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[Reinaldo]
Clau, você quer comentar?
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[Cláudia]
Sim, esses links são muito importantes porque permitem que as pessoas pulem rapidamente para partes específicas da página — exatamente para aquelas que elas querem ver — sem precisar passar por uma grande quantidade de conteúdo antes.
E a norma também traz um ponto interessante: além desses links para pular blocos de conteúdo, existem outros mecanismos que podem ajudar nisso.
Por exemplo, estruturar corretamente os cabeçalhos da página. A gente ainda vai ter um episódio dedicado só a esse tema. Mas, quando os cabeçalhos são organizados de forma hierárquica e lógica, eles também permitem que o usuário navegue e pule entre diferentes partes da página.
Outra possibilidade é marcar as regiões da página de forma semântica, porque isso permite, por meio de tecnologias específicas, que as pessoas consigam ir diretamente para áreas determinadas da página — como a área de navegação, o conteúdo principal ou o rodapé — da mesma forma que acontece com os links para pular blocos de conteúdo.
Então, existem várias formas de implementar esse tipo de recurso.
Outra coisa que também pode ser feita é colocar títulos em frames e iframes, que são conteúdos incorporados dentro da página. Quando esses títulos estão presentes, eles funcionam como um mecanismo para que a pessoa entenda o que é aquele conteúdo e possa decidir se quer acessá-lo ou se prefere pular para a próxima seção.
Ou seja, existem diferentes estratégias para permitir esse tipo de navegação mais direta dentro da página.
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[Reinaldo]
E eu acho que essa questão dos links para saltar conteúdo é bem interessante. Já me perguntaram uma vez: “Mas hoje a gente já tem tantos recursos de tecnologia assistiva — até dentro do próprio HTML — será que ainda precisa fazer isso?”
Eu cheguei a conversar com algumas pessoas sobre isso e achei a resposta bem interessante. Primeiro, porque tecnicamente é algo muito simples de implementar: é basicamente um link no topo da página que aponta para um identificador dentro do conteúdo.
E, segundo, porque esse recurso pode ser especialmente útil para pessoas que ficaram cegas há pouco tempo e ainda estão se familiarizando com esse novo modelo de navegação. Muitas vezes essas pessoas ainda não conhecem bem os leitores de tela.
Então, pode parecer algo muito simples — apenas um link para saltar para o conteúdo principal — mas ele pode ajudar bastante quem está começando a lidar com tecnologias assistivas.
Por isso, a gente sempre recomenda: coloque esse link no topo da página, porque ele realmente pode ajudar bastante.
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[Sandy]
Eu posso fazer um comentário?
Algumas pessoas preferem esconder esses links, porque acham que acaba ficando muito conteúdo visível na página. Mas eu, particularmente, gosto de deixá-los visíveis. Acho que isso ajuda inclusive quem está enxergando a tela e utiliza o teclado para navegar.
Muitas pessoas preferem usar esses atalhos porque têm mais dificuldade de digitação, então isso acaba facilitando bastante para elas. Quando o link está visível, elas sabem que esse recurso existe e conseguem utilizá-lo com mais facilidade.
E tem até um exemplo relacionado com o que a Sandy comentou. Eu tenho uma colega que é designer, ela tem uma doença neurodegenerativa. Ela é vidente, mas utiliza o teclado porque isso exige muito menos esforço físico e causa menos estresse do que usar o mouse.
Então imagina ela, como designer e pesquisadora, que precisa ler muitos artigos e textos densos. Quando ela encontra páginas que têm aquele link de “Pular para o conteúdo”, ou algum atalho para uma área específica da página, ela adora. Para ela, é realmente um alívio.
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[Reinaldo]
Bom, acho que um outro ponto — ou uma outra barreira que eu queria trazer aqui — é sobre alternativas de localização.
É importante que o usuário consiga entender onde ele está dentro da página, dentro de um conjunto de páginas, ou seja, dentro de toda a estrutura do site.
Então eu queria que vocês comentassem um pouquinho sobre a importância disso e qual é o impacto para acessibilidade, especialmente para pessoas com deficiência.
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[Cláudia]
Se a gente não cria mecanismos de ajuda para que os usuários consigam se localizar dentro de um conjunto de páginas, eles podem perder o contexto de onde estão e também a noção da hierarquia do site.
Por exemplo, a pessoa vai navegando e, de repente, entra em uma página interna. A partir daí, ela já não sabe mais como chegou ali nem como voltar para uma página anterior ou até para a página inicial.
Por isso, é muito importante que a gente ofereça recursos que ajudem nessa localização.
Um exemplo é o breadcrumb, ou trilha de navegação, que mostra onde o usuário está naquele momento em relação ao caminho que ele percorreu. Isso ajuda bastante e permite que ele volte para páginas anteriores de forma rápida e fácil.
Outra possibilidade é incluir um mapa do site, que apresenta a estrutura hierárquica das páginas. Assim, quando a pessoa acessa esse recurso, ela consegue ter uma visão geral do site e entender melhor o contexto, facilitando o acesso a páginas específicas.
Além disso, menus bem estruturados também ajudam bastante.
Ou seja, existem várias estratégias que a gente pode usar para apoiar a localização dos usuários dentro do site.
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[Sandy]
Acho que o mais interessante, quando a gente fala desse tópico, é justamente oferecer mecanismos alternativos para que o usuário consiga se lembrar de onde está. E, caso ele precise voltar em algum ponto da jornada, que isso seja fácil.
Isso é muito comum em e-commerces, por exemplo. A gente tem vários níveis de produtos e, quando quer voltar para uma categoria específica, bate aquela dúvida: “qual foi o caminho que eu percorri para chegar até aqui?”
Então, esses mecanismos ajudam justamente nisso: a lembrar onde o usuário está e a oferecer atalhos para voltar a pontos-chave da navegação.
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[Cláudia]
E qual é a recomendação? Ter pelo menos duas formas de ajudar os usuários a encontrar conteúdos dentro das páginas — e, se tiver mais, melhor ainda.
Aí entram todos esses recursos que a gente comentou, como mapa do site, breadcrumbs, links distribuídos a partir da página inicial e também mecanismos de busca.
Tudo isso contribui para que as pessoas encontrem as informações de forma mais rápida e fácil. Ou seja, oferecer mais de uma alternativa é o ideal.
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[Reinaldo]
Esses links que vocês estão comentando, de estarem distribuídos pelo site, me lembraram um ponto que a Sandy trouxe sobre e-commerce.
É muito comum a gente ver, principalmente no rodapé dos sites, uma estrutura de links que leva para áreas importantes.
Isso já contemplaria, por exemplo, um mapa do site? Já poderia ser considerado uma dessas formas de ajudar na localização do usuário?
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[Cláudia]
Sim, contemplaria. Algumas empresas colocam mapas do site completos no rodapé.
Mas a gente precisa tomar alguns cuidados, porque, se esse mapa for muito grande e estiver presente em todas as páginas, ele também pode acabar prejudicando a acessibilidade.
Nesse caso, é importante lembrar de usar também os links para pular blocos de conteúdo e pensar bem em como organizar essa informação.
Não sei o que você pensa sobre isso, Sandyara.
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[Sandy]
Eu concordo. Acho que, mais uma vez, a gente precisa avaliar o contexto.
Normalmente, no rodapé ficam estruturas mais institucionais, enquanto no topo ficam os elementos mais importantes para o core business, ou seja, para o negócio em si.
Assim, a gente evita gerar uma carga cognitiva tão grande na experiência do usuário.
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[Reinaldo]
Legal.
Agora, passando para a próxima barreira, a gente entra em um ponto importante sobre mecanismos de navegação e de ajuda que mudam de posição ao longo das páginas.
Imagina a seguinte situação: você entra em uma aplicação e tem um ícone de ajuda que fica sempre no topo da página. Mas, ao navegar para outra página, esse ícone muda de lugar. Ou então o próprio menu de navegação, que vai mudando de posição a cada página que você acessa.
Esse tipo de comportamento também é uma questão de acessibilidade e está contemplado na norma.
Então eu queria que você comentasse um pouco sobre isso: qual é o impacto desse tipo de mudança e quais barreiras isso pode gerar, especialmente para pessoas com deficiência?
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[Cláudia]
Essa prática de mudar os elementos de lugar é muito ruim para qualquer pessoa, porque a gente cria uma memória visual da interface.
Quando vamos organizando as informações de um site na cabeça, fica muito mais fácil encontrar as coisas se elas permanecem sempre no mesmo lugar.
Para uma pessoa que não enxerga e navega com leitor de telas, acontece algo semelhante. Ela também constrói uma espécie de memória de onde os elementos estão localizados em relação uns aos outros na página.
Por isso, a recomendação da norma é que mecanismos de navegação e de ajuda apareçam sempre na mesma ordem relativa em relação aos outros elementos da tela.
Por exemplo, se eu mudo de uma página para outra e o campo de busca está ao lado do menu, ele deve continuar nessa mesma posição em relação aos demais elementos.
Da mesma forma, mecanismos de ajuda — como uma área de contato, um chatbot, um FAQ de perguntas e respostas — precisam manter essa consistência e aparecer sempre na mesma ordem relativa quando o usuário navega entre páginas.
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[Sandy]
Esse tipo de caos — com a interface mudando de lugar a cada página — pode gerar uma frustração enorme para o usuário, principalmente quando ele está em um fluxo mais sensível.
Imagina se acontece algum problema e, de repente, o ícone de ajuda mudou de lugar? Ou o ícone do chatbot não está mais onde ele esperava?
Isso pode acabar sendo a gota d’água para o usuário simplesmente desistir de usar o produto ou o site.
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[Reinaldo]
E essa questão que vocês comentaram não é só visual. Não é apenas, por exemplo, algo que estava no topo esquerdo e passou para o topo direito.
Isso também precisa estar refletido no código, certo?
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[Cláudia]
Isso — e o código precisa seguir uma ordem lógica que seja compatível com o que a gente vê na tela.
Porque, se visualmente uma coisa aparece de um jeito, mas no código está organizada de outra forma, para uma pessoa que não enxerga e depende de tecnologia assistiva, essa leitura pode ficar muito confusa.
Hoje em dia é muito comum a gente fazer esse tipo de organização com CSS, posicionando elementos na tela. Por exemplo: coloco um item à esquerda, outro à direita, mas no código eles estão em ordem invertida.
Se essa diferença impacta a ordem de leitura da informação, para quem está acessando por tecnologia assistiva isso pode gerar bastante confusão — e a pessoa pode não conseguir compreender corretamente o conteúdo.
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[Reinaldo]
Bom, então a gente já está caminhando para o final do nosso episódio. E eu queria, talvez, fazer uma recapitulação técnica, apesar de a gente ter falado bastante coisa aqui.
A gente comentou sobre os cuidados na codificação dos links, sobre o texto que acompanha esses links, sobre informações complementares, sobre links redundantes…
Enfim, uma série de pontos que são importantes para que pessoas com deficiência não encontrem barreiras durante a navegação.
Até porque a navegação é um dos aspectos mais centrais da web. Foi justamente ela que trouxe essa possibilidade de interatividade.
Então, acho que já podemos partir para uma mensagem final.
Acho que a principal mensagem que eu queria deixar aqui, como encerramento, é a importância de a gente focar no uso dessas boas práticas na criação de links.
Isso é fundamental para garantir que as pessoas com deficiência tenham um acesso pleno à navegação.
E agora eu queria pedir para vocês uma mensagem de despedida — e também um comentário final sobre o que a gente conversou hoje.
Se puderem deixar algum recado ou alguma dica para a nossa audiência.
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[Cláudia]
Queria deixar, como dica final, a ideia de que, quando a gente cria uma página web ou uma aplicação, é importante pensar que a construção visual é, sim, muito relevante.
Mas a gente não pode esquecer que, no código, tudo também precisa estar organizado, intuitivo e claro, com informações suficientes para que todas as pessoas consigam compreender o conteúdo.
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[Sandy]
Acho que o recado final que eu tenho para dar, principalmente em relação aos links, é que toda a experiência precisa fazer sentido para quem vê, para quem ouve e para quem sente.
Os links são um excelente recurso para agilizar a encontrabilidade de informações e a navegação do usuário. Então, use com cuidado e parcimônia, porque isso com certeza vai contribuir para uma experiência muito melhor.
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[Reinaldo]
Bom, então chegamos ao fim deste episódio do Todos na Web.
Espero vocês no próximo episódio.
Até a próxima!

