Transcrição Episódio 16 Podcast Todos na Web

A transcrição foi levemente editada para melhorar a fluidez e a leitura, mantendo o sentido e a intenção das falas originais.

[Jeniffer]
Olá, pessoal! Eu sou a Jeniffer, uma mulher branca, de cabelos loiros e franjinha. Tenho olhos verdes e hoje estou aqui para conversar sobre tempo com duas pessoas muito queridas, que são a Simone Freire e o Leonardo Gleison.

Vou passar para eles agora se apresentarem para vocês.

Simone, Leonardo, muito obrigada pela presença.
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[Simone]
Imagina. Obrigada, Jeni. É um prazer estar aqui com todo mundo.
Eu sou a Simone, uma mulher branca, de cabelos castanhos escuros, levemente ondulados, e olhos castanhos escuros. Estou vestindo aqui a camiseta preta do Movimento Web para Todos.
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[Leonardo]
Eu sou o Leonardo Gleison. Estou aqui com os meus cabelos grisalhos, minha pele branca e a tradicional camiseta preta do Movimento Web para Todos, linda como sempre, né?
E a gente veio aqui para falar de tempo. E aí, será que a gente vai ter tempo para falar sobre tempo?
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[Jeniffer]
Vamos ter tempo para falar sobre o tempo, mas a gente vai falar sobre ele aqui em uma perspectiva relacionada à acessibilidade, que é: será que todas as pessoas conseguem executar tarefas e concluir suas interações com tempo suficiente? Será que isso está adequado para todo mundo?
E aí eu já quero trazer um exemplo, Leo, e passar para você comentar um pouquinho sobre. Acho que já deve ter acontecido com você. Comigo já aconteceu pelo menos uma dúzia de vezes: estar lá preenchendo um formulário e, quando eu estou quase terminando, a sessão expira, alguma coisa acontece e eu perco todas as informações que preenchi.
E aí, às vezes, a gente começa de novo, porque não tem a opção, mas, se a gente tiver outra opção, às vezes nem faz isso. Eu queria entender se você já passou por situações assim, em que você perdeu tarefas e coisas muito importantes que você estava fazendo porque ou precisou se reautenticar, ou porque o tempo acabou ou porque alguma coisa aconteceu.
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[Leonardo]
Ah, isso já aconteceu algumas vezes comigo, inclusive procurando emprego. Jovenzinho, ali procurando emprego, mandando currículo, acessando a internet, enviando propostas de vaga no site de uma grande companhia aérea brasileira. Estou lá preenchendo meu currículo e mandando minha candidatura, do alto dos meus 20 e poucos anos, muita experiência, né? E ali, contando tudo, aí chega no final e tinha dois problemas. Um deles era o CAPTCHA, né?
E aí, pensei: “E agora?”. Beleza. Corri para a casa da minha mãe e falei: “Mãe, vamos lá correndo porque tem que preencher”. Cheguei lá e preenchi tudo. Quando cliquei em “enviar”, apareceu: tempo expirado. Gente, é muito frustrante. Eu nunca mais quis trabalhar nessa empresa.
E é isso. Um tempo depois, tive a oportunidade de, já trabalhando em outra empresa, encontrar uma gerente de marketing de lá e perguntar: “E vocês têm recebido muitos currículos de pessoas cegas para trabalhar aqui com vocês?”. Ela respondeu: “Não, engraçado, é o único tipo de deficiência que a gente não recebe”. Eu falei: “Sabe o que acontece?”. E aí contei essa história para ela. Gente, ela não sabia onde enfiar a cara.
Mas acontece, né, gente? Assim, isso acontece em tudo, às vezes até em compras, em e-commerce. Você está ali tentando comprar um produto, chega no final e não consegue porque o tempo se esgotou.
Agora, gente, eu vou falar uma coisa para vocês. Se eu tivesse uma loja, física ou online, e meu cliente está querendo comprar, tudo o que eu daria para ele é tempo.
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[Jeniffer]
Muito bom! Essa dica é muito importante, gente, prestem atenção.
Si, agora eu queria que você falasse por que o tempo é considerado um fator tão importante. E, quando a gente fala de acessibilidade, o Leo já trouxe aqui alguns exemplos, mas queria que você trouxesse também a sua experiência e o que a norma ABNT 17225, que a gente está abordando nesta série, fala sobre essas questões de tempo.
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[Simone]
Boa! Estou com a minha colinha, porque vou falar um pouco sobre as quatro frentes e por que é importante.
Então, quando a gente está falando para o pessoal de conteúdo, a gente precisa ter instruções claras. Acredito que, no decorrer desse bate-papo, a gente vai trazer informações mais precisas sobre isso.
No design, a norma sempre reforça que a atenção deve estar voltada para os botões e controles, permitindo esse ajuste no tempo. Então, essa é uma preocupação que a gente precisa ter em conteúdo, em design e, na parte de desenvolvimento, é garantir que as sessões não expirem sem aviso, que foi exatamente o que aconteceu com o Leo. Inclusive, você estava comentando de um caso particular seu em que também enfrentou isso.
E, na parte da gestão, é preciso prever testes para essas situações. Então, é importante sempre lembrar de incluir, na hora em que a gente vai fazer o checklist, se toda essa parte relacionada ao tempo está sendo monitorada para fazer essa validação antes da entrega.
Então, essas quatro frentes são o que a norma aborda de forma bem específica em cada uma delas e que a gente vai abordar aqui neste bate-papo.
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[Jeniffer]
Leo, na sua experiência como pessoa desenvolvedora, eu queria saber: temos alguns pontos que são interessantes quando a gente pensa em tempo, como o tempo limite, as atualizações, a expiração e a reautenticação.
Eu sei que isso também te afeta na vida, mas, pensando, por exemplo, no seu dia a dia de trabalho, o que geralmente é mais esquecido ou tratado incorretamente pelas equipes quando a gente está falando desses aspectos relacionados ao tempo?
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[Leonardo]
Bom, então, o que mais me impacta no dia a dia é o seguinte: aquelas aplicações de token, por exemplo, em que você precisa digitar os seis caracteres para entrar em algum sistema. Às vezes, eu perco quatro, cinco tentativas em 30 segundos.
Mas a questão é que, às vezes, o leitor de telas, só para ler os números, leva mais de 15 segundos. Ou você tem uma ótima memória, ou já vai digitando de uma vez. Mas, gente, quem consegue ouvir aquilo e já ir digitando? Isso impacta bastante.
Outra coisa que também impacta bastante é a sessão. Você está ali preenchendo um formulário ou participando de alguma atividade e, aí, esgotou. O tempo acaba e você é desconectado. Assim, sem mais nem menos, sem aviso.
Isso, às vezes, acontece em página de banco. Você tem um limite de tempo para realizar alguma tarefa e pensa: “Ah, tudo bem, tem 15 minutos”. Mas você não está toda hora olhando para o relógio. Você não está com um cronômetro marcando isso, sabe?
Eu acho que, se a pessoa está interagindo com a página, vai mantendo o cronômetro ali. Não precisa deixar o tempo esgotar, porque muitas vezes isso também acontece, se você for parar para pensar, não só no ambiente de trabalho, mas também no seu dia a dia.
Você está ali trabalhando e, sei lá, acabou o tempo de uma reunião em alguma dessas plataformas de reunião e você é simplesmente desconectado porque o tempo acabou. O que é isso, gente?
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[Simone]
E, até pegando carona no que o Leo falou, eu lembrei de uma situação. Meu pai é um senhor de 84 anos, superativo, mega ativo, tem perfil no Instagram, acessa banco, usa planilhas.
E ele realmente fica com medo quando precisa entrar e aparece aquele reloginho do banco para o token. Ele fica desesperado. Fala para mim: “Poxa, filha, eu estou ficando muito velho”. E também: “Eu não sou um beócio. Filha, eu não sou um beócio, mas isso aqui é muito rápido”. Ele não consegue acessar a conta do banco a tempo quando aparecem esses numerinhos para ele.
Então, puxa vida, você vê que é uma pessoa de 84 anos, superdescolada e, assim, é uma barreira muito grande para ele acessar o banco e fazer movimentações.
Então, não é algo que afeta só as pessoas com deficiência visual, mas todo mundo, incluindo pessoas idosas e a gente mesmo.
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[Jeniffer]
Às vezes, a gente até afasta as pessoas da tecnologia por causa disso, porque a pessoa já cria uma barreira, pensando: “Isso não é para mim. Não vou fazer isso, porque tem que ser muito rápido, tem que saber muito bem”. E as pessoas não fazem.
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[Simone]
Exatamente.
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[Leonardo]
Voltando aqui para a parte técnica, gente, também não é tão difícil assim avisar a pessoa. Você consegue avisar que o tempo dela está acabando e, de preferência, também informar o que ela deve fazer para reiniciar aquilo e evitar que a sessão expire, que o tempo acabe, para que ela consiga continuar fazendo aquela tarefa.
Você não vai entrar no site e colocar um cronômetro para controlar o tempo sozinho. Se você está controlando o tempo aí, do lado do fornecedor do serviço, é você quem precisa avisar a pessoa.
Inclusive, a Simone estava falando aqui do caso do reloginho, né? E, esses dias, eu estava conversando com uma pessoa, um engenheiro de software da empresa onde eu trabalho, e ele me falou: “Não, esse reloginho que vocês colocaram aqui no painel gera ansiedade”. Eu falei: “Putz”.
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[Simone]
Você lembrou que eu já tinha te contado esse caso, né?
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[Leonardo]
E é verdade! Isso causa ansiedade. A gente já falou sobre isso várias vezes em palestras e eventos. Mesmo assim, apareceu um reloginho lá que eu acabei esquecendo de avisar ao designer que era melhor não colocar, sabe? Acontece, né?
Mas dá para resolver isso do ponto de vista técnico: primeiro, tirando o relógio dali, que também causa ansiedade; e, segundo, avisando com um pouco de antecedência que alguma coisa vai acontecer.
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[Jeniffer]
Sim. E aí, Si, do lado de conteúdo, como você vê essas questões de tempo e desses avisos, ou da falta deles, quando as pessoas estão ali pensando no conteúdo?
O que seria interessante fazer?
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[Simone]
Acho que passa muito pela mensagem que você vai transmitir para a pessoa. Em vez de trazer informações alarmantes, que façam a pessoa já ficar com aquela taquicardia, pode ser algo do tipo: “Calma, você ainda tem um tempinho para responder esse questionário”.
Um recurso muito legal que a galera de conteúdo passou a incluir, e que tenho visto bastante em blogs e portais de notícia, é o tempo de leitura do texto: “Esse texto tem um tempo de leitura de 5 minutos”. Pô, isso é muito legal, porque aí você já sabe quanto tempo vai precisar dedicar para ler aquele conteúdo: “Você vai precisar, em média, de 5 a 7 minutos”.
Então, essa é uma forma. Outra maneira seria, sei lá... Não faz muito sentido colocar um relógio, mas tudo depende da forma como a informação é passada. Você tem a informação de que vai precisar dedicar aquele tempo e pode escolher se quer ou não ler aquele conteúdo.
Então, quem trabalha com conteúdo precisa pensar sempre na mensagem que vai transmitir, de uma maneira bacana e que não gere ansiedade em quem está consumindo aquele conteúdo.
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[Leonardo]Tem um negócio legal também... Essa questão da comunicação que você estava comentando. Você pode mandar uma mensagem como: “Oi, você ainda está aí?”, sabe? Esse tipo de coisa também funciona superbem, porque é superamigável e ninguém vai ficar achando que você está controlando o tempo, que existe um tempo limite ou alguma coisa assim.
E isso acontece muitas vezes. Tem até uma experiência de uma plataforma de streaming em que, depois de alguns episódios, ela pergunta: “Você ainda está aí?”. É superlegal, divertido.
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[Simone]
Tem alguns que colocam "toc toc", como se estivessem batendo na porta, né?
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[Leonardo]
E aí você pode aproveitar recursos como ARIA no HTML para chamar a atenção da pessoa cega que está consumindo o conteúdo. A mensagem vai aparecer e ser lida automaticamente para a pessoa.
E, às vezes, você até consegue dar uma dica: “Pressione uma tecla de atalho X, Y ou Z para dizer que você está aí”, ou algo assim. Dá para fazer isso, sabe?
É só uma questão de a pessoa realmente se importar com isso, né? Ter o mínimo de empatia com as outras pessoas e entender que nem todo mundo consegue fazer as mesmas coisas no mesmo tempo.
Inclusive, existem outros bons exemplos de plataformas, até mesmo de redes sociais, em que, quando você vai preencher testes de proficiência em alguma área do conhecimento e informa que tem uma deficiência, eles te dão um tempo a mais para concluir aquilo, sabe? E eles informam isso para você.
Então, é muito legal ter esse tipo de recurso, sabe? É questão de ter empatia mesmo.
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[Jeniffer]
Sim. E aí, gente, agora um outro tema: atualizações automáticas. Quando a gente pensa naqueles carrosséis, banners e “feeds” de redes sociais que ficam mudando sozinhos o tempo todo, parece uma coisa inofensiva, né? Mas, às vezes, a gente perde algumas informações.
Quer contar um pouquinho, Leo? Você já perdeu alguma coisa que queria muito ver por causa de uma atualização automática?
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[Leonardo]
Acho que nem sei. Eu perdi, provavelmente.
Mas o que acontece nessa questão dos carrosséis é que nem sempre fica óbvio que aquilo é um carrossel. E aí o leitor de telas, quando passa por aquela região, lê aquilo como algo estático. Então, ele chega ali no carrossel e lê a primeira linha: “Venda de café em promoção”. Um supermercado, né?
Aí você vai para a próxima linha: “Arroz, carne”, né? Então, o que acontece? Gente, o que está acontecendo ali? Não estava vendendo café? Agora está vendendo arroz?
Aí você vai para a próxima linha: “857 reais”. “Calma aí, um pacote de arroz custa 857 reais?”
Então, o que acontece? O leitor de tela vai pegar cada linha conforme ela aparece. Se você muda o slide muito rápido, acaba não conseguindo passar aquela informação. A pessoa cega vai perder aquilo e nunca vai saber que perdeu, porque não existe nenhum indício de que mudou de página, de que mudou de slide ou até de que aquilo é um carrossel.
Então, é importante ter avisos ali. Você consegue colocar, dentro da página, uma “tag” de grupo e inserir algo como: “Região atualizada dinamicamente a cada tantos segundos”. Dá para colocar.
O ideal seria que isso nem existisse. O ideal seria que a pessoa tivesse autonomia para mudar esses slides por conta própria, se quisesse.
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[Simone]
Isso afeta, Jeni, não só pessoas com deficiência visual que usam leitores de tela. Dependendo da neurodivergência, isso também pode afetar outras pessoas.
A gente já prestou consultoria para grandes emissoras e chegou a falar: “Olha, gente, a nossa especialista autista não conseguiu participar e fazer a inscrição no programa porque os banners passavam em uma velocidade em que ela não tinha a opção de pausá-los”. E aquilo foi gerando ansiedade nela, porque os banners continuavam passando.
Ela queria entender como funcionava cada parte do processo, o que viria depois, os destaques, e esse “autoplay” constante no carrossel, sem a possibilidade de parar aquilo, gerou uma ansiedade muito grande.
Então, para as pessoas típicas, parece algo simples, né? A gente olha e fala: “Isso é besteira. Imagina aquele banner ali passando, como isso vai afetar a vida de uma pessoa?”
Sim, afeta. E, mais uma vez, trazendo também as pessoas idosas, que têm essa lentidão e querem comprar, querem participar daquela promoção, mas, puxa, já passou, já acabou.
Então, é algo que impacta a vida de todo mundo.
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[Jeniffer]
Então, a recomendação é sempre ter uma opção de pausa?
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[Simone]
Opção de pausa, de avançar e voltar.
E, se houver necessidade — não necessariamente em um banner, mas em algo que precise ter um “refresh”, uma atualização —, é importante que isso seja informado.
Isso é essencial, porque assim você não deixa que aquilo vire uma surpresa ou uma barreira.
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[Jeniffer]
Sim, e agora a gente vai falar um pouquinho sobre a questão das sessões que expiram e das interrupções que podem acontecer no fluxo normal.
O Leo já comentou um pouquinho sobre isso, e eu também comentei sobre a sessão expirar no meio do preenchimento de um formulário ou de uma compra. A gente perde o carrinho de compras, perde o que estava fazendo.
O que a norma recomenda, Si, quando a gente fala sobre expiração de sessão?
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[Simone]
Que essa informação exista. Que a pessoa usuária seja informada, em um texto muito simples e direto, de que aquela página vai expirar de tempos em tempos ou de que aquele formulário, por exemplo, será atualizado e não será salvo.
Porque isso acontece muito. Você está lá preenchendo um questionário ou um formulário e não existe nenhuma informação dizendo que vai perder aquilo se passar de três minutos. Aí você vai lá, pega um café e, quando volta, a página dá um “refresh”.
Puxa vida, se eu soubesse que ia perder aquela informação, eu não levantaria para ir ao banheiro ou tomar um café. Eu terminaria todo aquele processo.
Então, a norma traz isso: se realmente for extremamente necessário esse “refresh”, essa atualização, que isso seja informado de maneira bem clara para quem está fazendo aquela inserção de dados.
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[Leonardo]
Essa questão de expiração de sessão é superinteressante na web, mas acho que outra dica que a gente pode dar é pensar também em quando você usa um “chatbot”. Tanto em “chatbots” no site quanto quando você tem um tempo para responder, é importante informar a pessoa.
Isso já aconteceu comigo várias vezes, tanto usando uma ferramenta de comunicação instantânea quanto usando o próprio site: estar lá interagindo, por algum motivo precisar sair de perto do computador e acabar ficando sem atendimento porque ele foi encerrado. Eu tinha 15 minutos, 10 minutos, mas não sabia disso.
Então, também é importante avisar isso, principalmente quando existe interação com “chatbots” ou mesmo quando você está interagindo com o suporte de qualquer empresa em um chat. Acho importante informar isso.
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[Simone]
Jeni, uma coisa que eu esqueci de falar no início, quando respondi, é que a norma sugere que as informações não sejam perdidas.
Isso é muito importante: que exista uma opção para salvar ou garantir que aquilo não seja perdido, ficando registrado por um período.
O que acontece muitas vezes é que a gente volta e realmente não encontra mais esse tipo de informação.
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[Jeniffer]
Leo, tecnicamente, vou jogar essa bola para você: qual seria a solução para a gente não perder as informações que estão ali, se a gente fosse olhar para a parte de desenvolvimento?
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[Leonardo]
O correto, na verdade, é que, quando você tem uma interação web e um formulário com tempo de preenchimento, se a pessoa não enviar aquilo, não vai haver como salvar os dados do lado do servidor. Mas você pode salvar localmente.
Tem uma ferramenta que a gente chama de “local storage”. Você pode salvar esses dados no “local storage” e preencher os campos automaticamente quando a pessoa voltar para aquela página.
Então, dá para fazer. Tecnicamente, é possível, mas, infelizmente, nem todas as empresas e nem todos os provedores de serviço fazem isso, né?
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[Simone]
O que facilitaria nossa vida absurdamente, né?
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[Leonardo]
Nossa, facilitaria demais.
E não tem nada pior do que você demorar para preencher um formulário, ainda mais para quem usa leitor de tela. É uma demora para ler aquela informação e, às vezes, entender. Tem gente que nem coloca isso lá.
A gente provavelmente ainda vai falar muito sobre isso aqui nos podcasts, porque tem lá um campo de formulário e você tem que adivinhar o que a pessoa quer que seja preenchido ali.
Chega uma hora em que você vai enviar e a sessão expirou
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[Simone]
Você quer matar!

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[Leonardo]
É desesperador! Se é uma coisa que você é obrigado a fazer, paciência. Tem que fazer tudo de novo.
Se é uma coisa que você não é obrigado a fazer, você desiste.
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[Jeniffer]
Então, gente, só para fechar tudo o que a gente falou hoje aqui. A gente falou sobre oferecer mecanismos para ajustar prazos, controlar as atualizações automáticas, evitar interrupções desnecessárias e garantir que a reautenticação não faça a pessoa perder os dados já preenchidos.
Então, são alguns requisitos técnicos que existem e que vão melhorar essa experiência relacionada ao tempo para as pessoas, dentro desse contexto de acessibilidade.
Simone, Leo, querem trazer algum complemento final, alguma dica final, algo para ajudar as pessoas a lidarem melhor com essa questão do tempo?
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[Simone]
Ah, minha dica, como conteudista, é pensar no tipo de mensagem que a gente vai passar para as pessoas. Pensar se realmente a gente está trazendo a pessoa para o jogo, para que ela não se sinta excluída.
“Puxa vida, não acredito que eu fiz tudo isso e perdi.”
Então, é importante a pessoa saber que, se não fizer aquilo, vai perder a informação. É uma outra perspectiva: a de informar quanto tempo está sendo oferecido para aquela pessoa realizar aquela atividade.
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[Leonardo]
É isso aí. Do meu lado, acho importante reforçar o que eu já falei aqui em vários outros episódios, que é a questão da empatia.
É entender que o tempo que você leva para fazer alguma coisa não é o mesmo tempo que eu levo. Não é o mesmo tempo que uma pessoa de 60 anos leva ou que uma pessoa com deficiência motora leva.
Então, é importante pensar que o tempo necessário para fazer algo é o tempo de que aquela pessoa precisa para fazer aquilo, e não o tempo que você acha ideal.
Acho que é isso. Acabou o nosso tempo, né, Jeniffer?
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[Jeniffer]
Eu ia falar isso, ele roubou a minha piadinha. Estamos ficando sem tempo!
Queria agradecer à nossa audiência pela companhia e até a próxima.