Transcrição Episódio 13 Podcast Todos na Web
A transcrição foi levemente editada para melhorar a fluidez e a leitura, mantendo o sentido e a intenção das falas originais.[Amanda]
Oi, pessoal! Eu sou Amanda Marques, analista de projetos no Ceweb.br. Sou uma mulher parda, de cabelos longos, volumosos e cacheados, castanhos. Estou usando óculos de grau com armação transparente e vestindo uma camiseta preta com o logo do Ceweb.
Hoje estou aqui com a Suzeli Damasceno, a Su, e com o Alexandre Ohkawa, o Alê, e vou pedir para eles se apresentarem para vocês.
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[Alexandre]
Oi, pessoal! Tudo bem com vocês? Eu sou o Alexandre. Meu sinal é feito com os dedos apontados tanto para o queixo quanto para a bochecha. Sou uma pessoa amarela, tenho cabelos e barba grisalhos, uso óculos de armação preta com formato quadrado, meus olhos são castanho-escuros e estou usando uma camisa preta com o logo do Web para Todos.
Sou arquiteto e consultor de acessibilidade e inclusão. Também sou embaixador dos projetos Web para Todos e Libras ABC e gestor de projetos na 7.1 Acessibilidade Criativa. É isso.
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[Suzeli]
Eu sou a Suzeli Damaceno. Sou uma mulher branca, tenho cabelos loiros em corte chanel, acima dos ombros e um pouco ondulados, olhos castanhos bem escuros e uso óculos de grau com armação esverdeada. Também estou usando uma camiseta preta com o logotipo do Movimento Web para Todos, onde atuo, desde o início, coordenando as atividades.
Também sou especialista em comunicação produtiva e em acessibilidade digital.
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[Amanda]
Boa! Para contextualizar o pessoal que está em casa, nós estamos aqui no estúdio com dois intérpretes de Libras e, em alguns momentos, o Alê vai sinalizar e, em outros, irá falar, pois é uma pessoa oralizada. Quando ele sinalizar, os intérpretes farão a dublagem da sua voz.
E o que a gente vai conversar aqui hoje? Vamos falar sobre animações em geral: carrosséis, banners presentes principalmente em sites e diversos outros componentes da web. Vamos trocar ideias sobre como podemos tornar essas animações acessíveis para todas as pessoas. Bora com a gente!
Você já entrou em algum site e o banner começou a se mexer sozinho? Você não conseguia voltar, pausar nem avançar? Imagine tentar ler um conteúdo com esse movimento constante ali ao lado. Será que essas animações automáticas realmente ajudam ou mais atrapalham do que qualquer outra coisa?
Su, vou começar por você, mas o Alê também fique à vontade para complementar. Por que o tema das animações é tão importante quando a gente fala de acessibilidade digital? Se você puder comentar também como a norma ABNT de acessibilidade aborda esse assunto, será muito importante. E peço que o Alê complemente a Suzeli.
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[Suzeli]
Animação e mundo digital parecem combinar perfeitamente, porque a animação acaba trazendo também uma sensação de leveza. Em várias situações, ela deixa o ambiente digital mais leve e descontraído.
Só que, quando é usada de forma excessiva, ela atrapalha muito. Distrai, tira a nossa atenção do foco principal da informação e acaba comprometendo a experiência. Infelizmente, muitos sites utilizam essas animações justamente para chamar a atenção, mas, muitas vezes, elas fazem isso de uma forma muito negativa.
A ABNT, por meio da norma 17225, traz vários requisitos relacionados a esse tema, justamente porque as animações podem não apenas distrair ou desviar a atenção do conteúdo, mas também causar sérios riscos à saúde. Mas a gente já fala sobre isso. Vou deixar o Alê comentar mais um pouquinho.
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[Alexandre]
Essa questão das animações e também dos banners que ficam se movimentando, às vezes com flashes na tela, precisa ser observada dentro do contexto. Em determinadas ocasiões isso faz sentido, mas, de forma geral, na minha perspectiva, acaba atrapalhando muito o usuário e gerando uma certa ansiedade. No meu caso, também me causa um pouco de estresse, porque, quando entro em um site, estou procurando uma informação. Então, tento, de alguma forma, tirar aquela animação, porque preciso esperar um minuto até ela passar inteira para conseguir voltar e ver a informação que eu queria. Isso pode gerar muita ansiedade e até fazer com que as pessoas desistam de acessar determinado site. Então, existe essa problemática de acesso.
Essa questão da saúde que a Suzeli comentou também merece atenção. Há pessoas que têm gatilhos desencadeados por esses elementos visuais que ficam piscando na tela. Isso pode provocar algum tipo de crise, porque o cérebro processa essas informações de uma forma que desencadeia esses gatilhos. Algumas pessoas autistas também podem não gostar desse tipo de recurso e acabar deixando de acessar o conteúdo. Então, depende de cada pessoa.
Particularmente, eu, enquanto pessoa surda e envolvido com as questões relacionadas às pessoas com deficiência, já tive contato com muitas pessoas e participei de grupos que discutiam exatamente esse assunto. Eu compartilhava a minha vivência nesses grupos e a grande maioria dizia que essas animações eram uma perda de tempo. Afinal, a gente vive em um ritmo tão acelerado que ainda precisa esperar a animação terminar para conseguir acessar o conteúdo.
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[Amanda]
Gente, sim! E acho que, mais adiante, ao longo da conversa, quero trazer um exemplo que a gente costuma usar nas nossas palestras.
Antes disso, eu queria que a Suzeli comentasse como o tema das animações se conecta com as quatro frentes da acessibilidade que a gente vem discutindo ao longo desses episódios
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[Suzeli]
Só para relembrar, as quatro frentes de acessibilidade que estamos considerando são as equipes de conteúdo, design, programação e gestão.
Pensando na equipe de conteúdo, que vai preparar o material que será exibido na web e pode ter a ideia de usar animações para chamar atenção, a primeira reflexão deve ser: essa animação vai desviar a atenção da pessoa? Vai tirar o foco do conteúdo principal? Isso é muito importante e deve estar sempre em mente.
Para a equipe de design, a pergunta é: essa animação é realmente essencial? Será que ela precisa existir? Se a resposta for sim, a própria norma traz diretrizes sobre como fazer isso de forma tranquila, suave, sem prejudicar a compreensão do conteúdo nem causar efeitos negativos para quem está acessando.
Já a equipe de programação precisa conhecer as regras e diretrizes para os casos em que essas animações sejam realmente necessárias naquele contexto. É importante incluir recursos que permitam à pessoa pausar ou ocultar a animação, fazendo com que ela desapareça da tela. Isso também faz parte da acessibilidade.
E a equipe de gestão, como a gente tem comentado ao longo dos episódios, é quem olha o todo. É quem garante que o projeto seja entregue seguindo as diretrizes de acessibilidade e também as recomendações que ajudam as pessoas a compreender melhor o conteúdo, sem que a experiência cause desconforto ou até mesmo algum prejuízo à saúde.
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[Amanda]
Acho que tanto o Alê quanto você explicaram muito bem como as animações podem não apenas dificultar a transmissão da informação de forma clara e coerente, mas também causar impactos na saúde das pessoas.
Diante disso, o que a norma ABNT traz para evitar que as animações automáticas se tornem barreiras de acessibilidade?
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[Suzeli]
Um dos pontos tratados pela norma é o conteúdo que pisca. Às vezes a gente entra em um site e encontra elementos piscando rapidamente. A norma deixa claro que, se um conteúdo piscar mais de três vezes em um segundo — e você pode pensar: "Nossa, isso é possível?" —, sim, isso acontece com frequência. Se piscar mais de três vezes por segundo, esse conteúdo já está fora do requisito previsto na norma. Então, isso simplesmente não pode ser feito. Esse já é um dos pontos importantes.
Outro ponto é o controle das animações. Se aquela animação não é essencial para que a pessoa compreenda o conteúdo — como pode acontecer em alguns materiais educativos, em que a animação ajuda a explicar uma informação —, mas tem apenas um caráter decorativo ou opcional, ela deve oferecer um recurso claro para que a pessoa possa pausá-la ou ocultá-la. Assim, ela consegue visualizar a página de forma mais tranquila, sem um elemento piscando ao lado ou um carrossel passando sem parar. A pessoa precisa ter controle sobre isso. É isso que a norma também prevê.
Existem ainda as animações de interação, aquelas em que você passa o mouse sobre algum ponto do site e a área se movimenta. Isso é muito comum. Conforme a gente vai rolando a página, às vezes ela também cria efeitos de movimento. Geralmente, tudo isso é opcional e não há necessidade de acontecer.
Então, se alguém optar por manter esse tipo de animação — por exemplo, quando um botão aumenta de tamanho ao ser clicado —, a recomendação é que também exista a opção de pausar ou desativar esse tipo de efeito. Afinal, isso pode incomodar muitas pessoas. Quem não se incomodar pode continuar navegando normalmente, mas quem quiser deve ter a opção de controlar essas animações.
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[Amanda] É importante oferecer esse controle ao usuário.
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[Alexandre]
Complementando o que a Suzeli acabou de explicar, as animações têm incomodado muito. Eu tenho alguns amigos surdos idosos e, para eles, determinadas animações são extremamente irritantes. Só de comentar sobre o assunto eles já ficam nervosos. Quando eu digo: "Olha que legal essa animação", eles já respondem: "Não quero saber de animação".
E eu fiquei pensando: "Interessante". Houve situações em que eu mesmo tentei fechar uma animação. O "X" estava lá, mas eu clicava, clicava, e ele simplesmente não fechava. Às vezes o botão é tão pequeno que você fica procurando, aumenta a tela, diminui a tela, até se cansar e desistir.
Então, eu acho que a animação é legal quando faz sentido, como em um show ou em uma dinâmica em que ela realmente acrescenta algo divertido. Mas é preciso pensar no contraste da animação, na tipografia, nas cores, sempre considerando a acessibilidade visual para todas as pessoas, inclusive as pessoas daltônicas.
Então, a animação é legal? É. Ela é ruim? Depende do contexto. Para mim, muitas vezes incomoda. É por isso que eu sempre digo: oferecer alternativas e opções já resolve o problema para todo mundo. Eu quero que todas as pessoas tenham a tranquilidade de fazer uma leitura sem interrupções.
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[Amanda]
Acho que o que vocês estão trazendo é um tema recorrente nas nossas conversas: dar opções para o usuário, permitindo que cada pessoa utilize o conteúdo da forma que for mais confortável para ela.
Mas como a gente pode orientar as equipes — seja de desenvolvimento, publicação de conteúdo, design ou qualquer outra envolvida no projeto — a equilibrar o uso das animações de interação, sem exagerar e sem causar desconforto para quem está acessando? Como encontrar esse equilíbrio?
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[Alexandre]
Olha, na minha perspectiva, o que eu sinto falta é justamente de uma comunicação mais direta com o público, de dialogar com as pessoas e orientar melhor o uso desses recursos. Por exemplo, mostrar: "Pessoal, se você quiser desativar essa animação, faça isso". Ou então: "Olha, tem uma novidade. É só entrar nas configurações e selecionar estas opções".
Muita gente não quer perder tempo procurando informações ou lendo longos textos. Para nós, pessoas surdas, por exemplo, expliquem em Libras, mostrem de forma visual. Digam: "Olha, clica neste botão", "entra aqui", "se você quiser desativar, faça assim". Se existir uma alternativa, mostrem isso de forma didática, porque é isso que as pessoas esperam.
A gente também precisa pensar no tamanho da população para quem esse tipo de interação não é tão intuitiva quanto é para programadores e gestores. É importante considerar esse contexto. Quantas pessoas fazem parte desse grupo? É um número muito maior do que o de profissionais que trabalham com tecnologia, que representam uma minoria. Então, a minoria que desenvolve precisa atender à maioria que utiliza. É preciso pensar nesse contexto mais amplo.
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[Suzeli]
E, quando o Alê traz essa perspectiva, do ponto de vista da acessibilidade, a gente percebe por que isso ainda é tão difícil de ser compreendido. Infelizmente, a quantidade de sites e aplicativos acessíveis ainda é muito pequena. Como consequência, as pessoas não estão acostumadas com esse padrão de acessibilidade.
Se todo mundo seguir direitinho o que está previsto na norma ABNT, isso deixa de ser uma exceção e passa a ser um padrão em todos os canais digitais. Aí tudo fica mais intuitivo, porque as pessoas começam a reconhecer esses recursos naturalmente. Elas entram em um site, encontram o botão para pausar a animação; entram em outro e encontram o mesmo recurso; depois acessam outro e percebem: "Olha, esse botão existe mesmo!". Isso passa a fazer parte da cultura e se torna um padrão de uso.
Então, eu acho que é obrigação de todas as pessoas que desenvolvem aplicações digitais seguir o que já existe. Nós temos recursos disponíveis e uma norma bastante detalhada, que reúne todos os requisitos que precisam ser atendidos, além de diversas recomendações que tornam a experiência ainda melhor. Assim, evitamos a situação que o Alê comentou, em que as pessoas ficam em dúvida sobre o que fazer. O objetivo é que fique claro para todo mundo como navegar e como utilizar esses recursos.
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[Amanda]
Uma coisa que me chamou a atenção e que vocês dois mencionaram ao longo da conversa é que conteúdos com efeito de piscar são considerados perigosos e podem causar danos à saúde de algumas pessoas.
Por que vocês destacaram esse ponto? Existem relatos de situações como essa? E como a gente pode evitar que esse tipo de problema aconteça?
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[Alexandre]
Sim. Por exemplo, existem animações com luzes piscando que podem ser problemáticas para pessoas com epilepsia. São situações muito específicas, mas que precisam ser consideradas. Isso também pode afetar pessoas com baixa visão ou outros problemas visuais e prejudicar a experiência delas.
Então, acho que a gente precisa prestar atenção a esses pequenos detalhes. Uma fração de segundo com luzes piscando, sejam vermelhas, verdes ou de qualquer outra cor, pode provocar alguma reação? Pode. Por isso eu digo que precisamos pensar no cuidado com a saúde física e fisiológica das pessoas.
No meu caso, como pessoa surda, esse tipo de recurso também pode provocar irritabilidade e gerar um estresse desnecessário, dependendo da situação em que a pessoa se encontra, seja na família ou no trabalho. Se alguém já está sofrendo pressão no trabalho e ainda precisa lidar com uma animação que aumenta a irritação, pode acabar explodindo no meio de uma reunião. Pode acontecer? Pode.
Aí alguém passa e diz: “Nossa, você está muito estressado, precisa tirar umas férias!”. Mas, às vezes, aquilo pode ter provocado algum gatilho. A gente precisa pensar nos mínimos detalhes. Nós somos especialistas nesses detalhes e queremos ajudar vocês a terem uma vida melhor, mais harmônica e feliz, tanto no trabalho quanto na família.
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[Suzeli]
Nossa, que "responsa"! Tudo isso?
Tem vários relatos, Amanda. Eu não me lembro agora do ano, mas houve um caso no Japão envolvendo Pokémon — Pikachu, Pokémon — em que uma cena apresentou flashes muito rápidos, muito além da quantidade permitida por segundo. E muita gente foi parar no hospital.
“Ah, mas foi só um relato?” Talvez tenha sido um dos poucos casos documentados dessa forma e que tenha virado notícia nesse nível. Pelo menos eu não conheço outros com a mesma proporção. Mas, naquele caso, foram várias pessoas internadas por convulsões causadas por aqueles flashes.
A fotossensibilidade é muito comum. Muita gente é fotossensível, sabe? E o flash vermelho pode ser ainda mais danoso. Mas por que ele é danoso? Isso significa que nunca pode ser usado? Não necessariamente. Se for usado dentro do padrão permitido, tudo bem, mas, novamente, é preciso oferecer à pessoa a opção de desabilitar esse recurso.
No caso do flash vermelho, o nível de contraste é muito maior. Então, para quem já é sensível a esse tipo de estímulo, o efeito pode ser ainda mais intenso. Às vezes, nem dá tempo de a pessoa pausar a animação, porque ela já começou a passar mal.
Por isso, esse é um assunto sério e vai muito além da experiência de navegação. A gente precisa tratar isso como algo realmente importante. Você pode não apenas perder uma visita no seu site ou um cliente que deixou de comprar um produto, mas também causar um problema sério de saúde em uma pessoa que está acessando o site naquele momento.
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[Amanda]
Esse caso é bem famoso. Inclusive, pelo que eu li, depois que esse episódio foi veiculado, centenas de crianças passaram mal, muitas pessoas passaram mal, e ele acabou sendo retirado do ar. A partir disso, esse tema começou a ser discutido com muito mais força.
A gente precisa mudar essa cultura da acessibilidade. Precisamos fazer as pessoas entenderem que todo mundo deve conseguir consumir plenamente os conteúdos e as informações que estão sendo disponibilizados.
Acho que também temos exemplos positivos: situações que aconteceram, ganharam visibilidade e levaram à retirada desses conteúdos do ar. Mas, infelizmente, ainda temos exemplos negativos, que reforçam a necessidade de mudar essa cultura. E esse é um trabalho árduo que ainda temos pela frente.
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[Alexandre]
É por isso que a gente oferece essa norma mínima. Ela é uma forma de educar as pessoas a conduzirem esse processo de forma adequada, de uma maneira mais simples, facilitando a vida de todo mundo, para que ninguém saia prejudicado. É só isso. É uma forma de educar.
Talvez isso também tenha relação com a cultura brasileira, que é tão diversa. A gente tem uma cultura multifacetada, com vários costumes, vários olhares, diferente de outros países, que são mais padronizados. A nossa não é. A gente tem que considerar também esse aspecto cultural, os costumes, tudo isso. E essa norma é uma forma de ter um controle.
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[Suzeli] Um direcionamento, né?
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[Amanda]
Sim. E acho que a conversa de hoje reforçou, antes de tudo, que a gente precisa tomar cuidado com os flashes.
Esse tema apareceu em vários momentos da nossa conversa. Então, gente, cuidado quando forem utilizá-los. Vamos unir a estética ao funcional, ao que é confortável para todos.
E também reforçamos bastante, ao longo da nossa conversa, que as animações precisam ser controladas. Sejam automáticas, precisam oferecer a opção de pausa; se forem interativas, o usuário deve poder escolher quando avançar ou não.
E, antes de encerrar de vez, vou pedir aqui para o Alê e para a Su deixarem uma palavrinha final, para a gente se despedir do público.
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[Alexandre]
Pode ir, Su, por favor, fique à vontade!
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[Suzeli]
Eu acho que esse é o pensamento da cultura da acessibilidade: o que eu quero com o meu conteúdo? Para quem eu quero passar essa mensagem? Qual impacto eu quero gerar com aquilo que eu crio para as outras pessoas?
"Ah, eu quero deixar as pessoas passarem mal com isso? Eu quero que elas sofram com algo que eu estou produzindo?"
Se essa for a sua decisão, é uma pena. Vou respeitar, mas já adianto: não é legal. Vai ser ruim, porque as pessoas realmente não vão lidar bem com o conteúdo que você está produzindo.
E eu aposto que quem está produzindo esse conteúdo quer que as pessoas tenham uma boa interação com ele, principalmente no caso de lojas virtuais, que querem manter a pessoa ali, querem manter o cliente comprando com conforto. Ninguém vai querer que ele passe mal ou saia correndo do site.
Então, de novo, é criar essa consciência: o que eu quero com o conteúdo que estou gerando? Quem eu quero impactar e de que forma?
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[Alexandre]
Bem, sobre as questões que a Su comentou, eu queria deixar uma reflexão para finalizar: a necessidade de uma consciência sustentável, de uma consciência inclusiva. A gente precisa pensar no consumo, né?
E nas empresas e instituições cujos produtos e serviços as pessoas consomem. Tudo isso segue uma lógica de lucro. Então, a gente poderia pensar em um lucro acessível, um lucro inclusivo, um lucro sustentável. É isso que a gente quer.
Vamos trabalhar juntos, caminhar juntos, para tornar esse processo mais humano, porque a gente sabe que o mundo está cheio de problemas: guerras, sofrimento... A gente enfrenta uma série de questões. E aí, até em um site a gente vai sofrer? Vai criar aquela guerra dentro de um site? Trazer todos esses problemas para o ambiente digital? Não!
A gente pode mudar essa perspectiva. No digital, a gente pode oferecer esse conforto que muitas vezes não encontra no mundo.
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[Amanda]
É isso aí!
A gente precisa pensar que as animações têm que ser planejadas para serem usadas com responsabilidade, e não para se tornarem barreiras.
Gente, obrigada, Alê. Obrigada, Su!
Maravilhosos, como sempre. Foi muito bom estar com vocês.
Pessoal, continuem acompanhando os episódios da iniciativa Todos na Web, o podcast que estamos lançando.
Até o próximo episódio! É isso, beijo!

