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29 OUT 2026

CERT.br atualiza guias de segurança digital incorporando, pela 1ª vez, alertas sobre riscos da inteligência artificial




Publicações voltadas para crianças, responsáveis e educadores chegam à terceira edição com seções inéditas sobre classificação indicativa, deepfakes e IA que simula amizades

São Paulo, 29 de outubro de 2026 – Uma criança conversa com um assistente de inteligência artificial (IA), compartilha dúvidas e passa a tratá-lo como um amigo. Em outra situação, utiliza um chatbot para fazer a lição de casa, sem perceber que as respostas podem conter erros ou informações falsas. Situações como essas são abordadas na terceira edição dos guias Internet Segura, produzidos pelo Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). As publicações são gratuitas e serão lançadas nesta quinta-feira (29), durante o 11º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet, em São Paulo. O lançamento ocorre em outubro, mês que marca simultaneamente o Dia das Crianças e a conscientização internacional sobre cibersegurança.

Com duas versões, uma versão destinada a um público de 8 a 12 anos, e outra para mães, pais, responsáveis e educadores, os guias foram revisados principalmente em função do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital - Lei nº 15.211/25), em vigor desde março deste ano. A revisão também reflete as mudanças no cenário digital ao longo de quase uma década: a primeira edição data de 2017 e a segunda, de 2022. A relevância do tema é reforçada pela pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br/NIC.br): 92% dos brasileiros de nove a 17 anos utilizam a Internet, o equivalente a 24,5 milhões de pessoas. Quase dois terços dos usuários dessa faixa etária já recorreram à IA generativa para, por exemplo, estudar, criar conteúdos ou conversar sobre emoções.

"Desde a primeira edição, acompanhamos mudanças na forma como crianças utilizam a Internet. O ECA Digital traz novas diretrizes para a proteção desse público, enquanto tecnologias como a inteligência artificial apresentam situações que precisam ser compreendidas por todos. Com essa revisão, oferecemos informações que ajudam as famílias a lidar com essas transformações e a fazer escolhas mais seguras", afirma Miriam von Zuben, analista de segurança do CERT.br responsável pela publicação e uma das especialistas da pesquisa TIC Kids Online Brasil.

Inteligência artificial: dos estudos às amizades virtuais

Uma das novidades do guia “Internet Segura: Divirta-se e aprenda a usar a Internet de forma segura!” é a inclusão de orientações sobre IA generativa em situações do cotidiano. O conteúdo trata do uso de chatbots em pesquisas e tarefas escolares, destacando a importância de utilizar a tecnologia como apoio aos estudos, conferir as informações e apresentar os trabalhos com as próprias palavras.

Também são abordadas as interações com ferramentas de IA capazes de simular conversas, e parecer “amigos” ou “companheiros”. A publicação enfatiza que esses sistemas não são pessoas, podem apresentar respostas incorretas ou influenciar quem interage com eles, e alerta ainda para os riscos de compartilhar informações pessoais durante as trocas com essas ferramentas.

Outro tema é o dos deepfakes, que são imagens, áudios e vídeos criados ou modificados por inteligência artificial e que podem parecer reais. O material orienta as crianças a questionar a autenticidade dos conteúdos que encontram na Internet e a conversar com um adulto de confiança quando tiverem dúvidas ou se sentirem desconfortáveis.

O guia também aborda publicidade disfarçada e proteção de dados, e orienta sobre classificação indicativa de jogos e aplicativos, que passou a incluir a faixa de seis anos e agora considera, entre os critérios, a possibilidade de interação com assistentes de IA. A proposta é ajudar as crianças a reconhecer riscos e a adotar cuidados ao usar a Internet.

A presença da IA no cotidiano também aparece nos indicadores da TIC Kids Online Brasil 2025: 59% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos utilizam IA generativa para pesquisas escolares ou estudos; 42%, para procurar informações; 21%, para criar conteúdos, como textos, imagens, vídeos ou códigos de programação; e 10%, para conversar sobre problemas pessoais ou emoções.

Para os adultos: ampliação dos riscos, sharenting e o que fazer se ocorrer algum problema

Entre as principais novidades do guia “Internet Segura – para seus filhos: Sua participação é muito importante!” estão a ampliação da seção “Conheça os riscos” e a nova seção "Conheça o ambiente digital dos seus filhos", que incentiva as famílias a terem contato com os ambientes digitais utilizados pelas crianças. O conteúdo recomenda verificar a classificação indicativa, os recursos de proteção e as configurações de privacidade.

Outra novidade é o aprofundamento do tema do sharenting, que envolve o compartilhamento de fotos, vídeos e informações sobre crianças pelos próprios familiares. Embora as edições anteriores já abordassem a exposição infantil, a nova edição amplia a discussão sobre os riscos à privacidade, à segurança e à imagem das crianças, especialmente nas situações em que há fins comerciais.

A publicação orienta ainda os adultos a estabelecer abordagem combinada sobre o uso da tecnologia, acompanhar as atividades conforme a idade e respeitar o desenvolvimento da autonomia infantil. O material recomenda mecanismos de supervisão parental associados a conversas sobre os conteúdos acessados, as interações online e as experiências vivenciadas pelos mais jovens.

Outro tópico inédito é o "Aconteceu um problema? Saiba o que fazer", que dá dicas de como os adultos podem acolher as crianças, preservar evidências, proteger contas e buscar os canais de denúncia adequados para cada ocorrência. Entre os canais indicados estão, de acordo com cada área de atuação, as próprias plataformas digitais, o Disque 100, a SaferNet Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e a Ouvidoria do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

As recomendações reforçam que o acompanhamento dos pais e responsáveis deve considerar não apenas o tempo de exposição às telas, mas também a qualidade das atividades realizadas e seus efeitos sobre a rotina, o sono, os estudos e a convivência familiar.

"Estabelecer limites de tempo de tela é importante, mas também é preciso compreender o que as crianças fazem quando estão conectadas. O diálogo, o exemplo dos adultos e o acompanhamento adequado a cada fase do desenvolvimento contribuem para que elas construam autonomia e senso crítico", ressalta Miriam.

As publicações estarão disponíveis gratuitamente no portal Internet Segura, em https://internetsegura.br/ 

Sobre o CERT.br
O Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil é um Grupo de Resposta a Incidentes de Segurança (CSIRT) de responsabilidade nacional de último recurso, mantido pelo NIC.br. Sua missão é aumentar os níveis de segurança e de capacidade de tratamento de incidentes das redes conectadas à Internet no País. Para atingir esse objetivo, além de atividades de tratamento a incidentes, o Centro também investe na conscientização sobre os problemas de segurança, no auxílio ao estabelecimento de novos CSIRTs no Brasil e no aumento da consciência situacional sobre ameaças na Internet, sempre respaldados por uma forte integração estabelecida com as comunidades nacional e internacional de CSIRTs. Mais informações em https://cert.br/.

Sobre o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br
O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR — NIC.br (https://nic.br/) é uma entidade civil de direito privado e sem fins de lucro, encarregada da operação do domínio .br, bem como da distribuição de números IP e do registro de Sistemas Autônomos no País. O NIC.br implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br desde 2005, e todos os recursos arrecadados provêm de suas atividades que são de natureza eminentemente privada. Conduz ações e projetos que trazem benefícios à infraestrutura da Internet no Brasil. Do NIC.br fazem parte:  Registro.br (https://registro.br), CERT.br (https://cert.br/), Ceptro.br (https://ceptro.br/), Cetic.br (https://cetic.br/), IX.br (https://ix.br/) e Ceweb.br (https://ceweb.br), além de projetos como Internetsegura.br (https://internetsegura.br) e Portal de Boas Práticas para Internet no Brasil (https://bcp.nic.br/). Abriga ainda o escritório do W3C Chapter São Paulo (https://w3c.br/).

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O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet democrático, elogiado internacionalmente, em que todos os setores da sociedade são partícipes de forma equânime de suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (https://cgi.br/resolucoes/documento/2009/003). Mais informações em https://cgi.br/.

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