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28 OUT 2026

Brasil atinge marca de 60% de usuários de Internet já com IPv6 habilitado




Avanço na adoção do protocolo resulta de uma estratégia integrada de políticas, recomendações, capacitação, produção de conhecimento e articulação, com atuação decisiva do NIC.br e do CGI.br

A Internet no Brasil alcançou nesta quarta-feira (28) uma marca histórica: 60% de seus usuários passaram a ter IPv6 habilitado, aponta a métrica "IPv6 Capable" do APNIC (Asia Pacific Network Information Centre), uma das principais referências internacionais no acompanhamento da adoção do protocolo. Fundamental para que a Internet continue crescendo e conectando cada vez mais pessoas, dispositivos e serviços, o IPv6 supera a escassez de endereços da versão anterior (IPv4) do protocolo, reduzindo a necessidade de soluções complexas de compartilhamento de endereços, e provendo maior escalabilidade e capacidade de expansão da infraestrutura global.

Essa evolução, que beneficia toda a sociedade, é resultado de duas décadas de esforços conjuntos, envolvendo investimentos e trabalho técnico dos provedores de Internet, além de políticas, recomendações, capacitação, disseminação de conhecimento e articulação entre diferentes setores. Nesse processo, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) desempenharam um papel decisivo, ajudando a criar a conscientização para que a adoção do IPv6 avançasse de forma segura no país.

“Há 20 anos trabalhamos para criar as condições técnicas, institucionais e humanas que permitiram ao Brasil chegar até aqui. Alcançar 60% de adoção do IPv6 é uma conquista importante, resultado de um esforço conjunto que envolve provedores, fabricantes, empresas, órgãos públicos, universidades e profissionais da área. Mas essa marca não significa que o trabalho está encerrado. É um passo importante para ampliar ainda mais a adoção do protocolo e garantir que a Internet no Brasil continue crescendo de forma sustentável”, afirma Milton Kashiwakura, diretor de Projetos Especiais e de Desenvolvimento do NIC.br.

Em 2006 o Registro.br começou a distribuir endereços IPv6 no Brasil, o que marca a decisiva atuação do NIC.br na disseminação da tecnologia. Uma das principais frentes é o Projeto IPv6.br, que engloba uma série de ações do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR para difundir a versão 6 do Protocolo Internet em território nacional. Criado em 2008, o Projeto IPv6.br já capacitou cerca de 11 mil especialistas da comunidade técnica, sempre em aulas com instrutores e turmas fechadas. Além de oferecer formação gratuita por meio de cursos básicos e avançados sobre o tema, o projeto leva conhecimento a profissionais de diferentes regiões, e agrega experiência através das Semanas de Capacitação, das lives Intra Rede, do podcast Camada 8 e dos cursos BCOP — Boas Práticas Operacionais para Sistemas Autônomos.

O NIC.br desenvolveu iniciativas para facilitar a implementação do protocolo e estimular sua adoção na prática. Em 2009, criou uma VLAN IPv6 no IX.br São Paulo e ofereceu trânsito IPv6 gratuito, permitindo que provedores experimentassem a tecnologia em um ambiente real. Publicou também o livro Laboratório IPv6, com conteúdo didático e exercícios práticos, e o Guia de Compras IPv6, para orientar a aquisição de equipamentos compatíveis com o protocolo. Em 2023, lançou o Prêmio IPv6, posteriormente transformado no Desafio BCOP, com o objetivo de reconhecer e incentivar boas práticas operacionais e de segurança.

“Todas essas ações têm ajudado a reduzir as barreiras técnicas e a criar condições para que organizações de diferentes portes avancem na adoção do IPv6, com o mesmo propósito: combinar capacitação, ferramentas práticas, incentivo à adoção e articulação da comunidade técnica. São frentes complementares que contribuem para uma Internet mais robusta, segura e escalável, preparada para acompanhar o crescimento das conexões e as demandas do futuro”, explica Antonio Moreiras, gerente de projetos e desenvolvimento do NIC.br. 

Ações do CGI.br

O CGI.br tem contribuído continuamente para a ampliação do IPv6 no Brasil. Em 2012, o Comitê estabeleceu recomendações abrangentes para a implantação da tecnologia no país, envolvendo provedores de acesso, Sistemas Autônomos, provedores de conteúdo e serviços, fabricantes, empresas, governo, universidades e centros de pesquisa.

A partir daí, o trabalho avançou em diferentes frentes. Em 2013, novas ações de mobilização e conscientização foram estabelecidas, além da produção de materiais didáticos e vídeos educativos pelo NIC.br e do incentivo à capacitação em IPv6. Em 2014, reforçou-se tanto a comunicação com a sociedade, quanto a necessidade de que equipamentos comercializados no Brasil oferecessem suporte adequado aos dois protocolos.

Mais recentemente, ao definir seus temas prioritários para 2024–2027, o Comitê incluiu a "infraestrutura crítica da Internet" entre suas prioridades e apontou a promoção e expansão do IPv6 no Brasil como parte dessa agenda.

Tendência consolidada

A marca de 60% dos usuários de Internet brasileiros com IPv6 não representa um pico isolado, mas a consolidação de uma tendência que vem se sustentando ao longo do tempo. “O percentual mostrado pelo APNIC é calculado com base na média das medições dos 30 dias anteriores, o que ajuda a suavizar variações pontuais e a evitar que oscilações isoladas distorçam a tendência geral. Ao analisar os dados diários, observamos que, a partir de 2 de outubro de 2026, as medições passaram a se manter consistentemente acima de 60%”, destaca Moreiras, que acrescenta:

“Precisamos reconhecer a atuação dos provedores de Internet, que investiram na implantação do protocolo e contribuíram para esse avanço. Sabemos que essa transição envolveu desafios técnicos, mas essa marca demonstra que boa parte do mercado já conseguiu superá-los. Aos que ainda não caminharam nessa direção, fica o incentivo para que façam isso: a adoção do IPv6 é uma necessidade para o crescimento sustentável da Internet. Com esse esforço, todos ganham.”

Por que o IPv6 é importante?

Para compreender melhor a importância da versão 6 do Protocolo Internet, é preciso voltar ao início da década de 1990, quando a rede começava, aos poucos, a deixar o ambiente mais restrito das universidades e dos centros de pesquisa para ser utilizada também pela população em geral. Nesse contexto, o IPv4, que sustentou o funcionamento da Internet desde 1983, começava a dar sinais de esgotamento face à crescente demanda por endereços IP.

Tornou-se necessário, então, desenvolver um substituto para essa tecnologia, trabalho que ganhou forma a partir de 1994, ao mesmo tempo que eram criadas soluções para prolongar o uso da versão 4 do protocolo - uma das estratégias adotadas foi o compartilhamento de endereços IP públicos entre vários dispositivos como o NAT (tradução de endereços IP).

O IPv6 foi projetado para suprir a crescente demanda por endereços IP, prevendo endereços únicos para um número muito maior de dispositivos e usuários conectados, porém não há compatibilidade direta do IPv6 com seu antecessor. Essa falta de retrocompatibilidade fez com que transição para a nova versão do protocolo exigisse mecanismos específicos para preservar a comunicação com redes que ainda dependem da versão antiga. Por isso, a implantação do IPv6 vem ocorrendo de forma gradual, e segue funcionando em paralelo com o IPv4.

Sobre o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br
O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR — NIC.br (https://nic.br/) é uma entidade civil de direito privado e sem fins de lucro, encarregada da operação do domínio .br, bem como da distribuição de números IP e do registro de Sistemas Autônomos no País. O NIC.br implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br desde 2005, e todos os recursos arrecadados provêm de suas atividades que são de natureza eminentemente privada. Conduz ações e projetos que trazem benefícios à infraestrutura da Internet no Brasil. Do NIC.br fazem parte:  Registro.br (https://registro.br), CERT.br (https://cert.br/), Ceptro.br (https://ceptro.br/), Cetic.br (https://cetic.br/), IX.br (https://ix.br/) e Ceweb.br (https://ceweb.br), além de projetos como Internetsegura.br (https://internetsegura.br) e Portal de Boas Práticas para Internet no Brasil (https://bcp.nic.br/). Abriga ainda o escritório do W3C Chapter São Paulo (https://w3c.br/).   

Sobre o Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br
O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet democrático, elogiado internacionalmente, em que todos os setores da sociedade são partícipes de forma equânime de suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (https://cgi.br/resolucoes/documento/2009/003). Mais informações em https://cgi.br/.  

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