NIC.br

Ir para o conteúdo
Logo NIC.Br Logo CGI.Br
15 ABR 2026

Plataformas superam TV e rádio como fonte de informação no Brasil


Teletime - 15/4/2026 - [gif]


Autor: Danilo Paulo


As plataformas digitais são agora o principal meio de acesso à informação entre brasileiros com 16 anos ou mais, superando mídias tradicionais como rádio e televisão. A informação foi revelada em pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 10, pelo Cetic.br.

De acordo com o levantamento, 72% dos usuários de Internet acessam diariamente informações por redes sociais, incluindo vídeos curtos (53%), plataformas de vídeo (50%) e feeds de notícias (46%). Aplicativos de mensagem como WhatsApp, por exemplo, também têm forte presença, com 60% de uso diário para esse fim.

Já rádio e televisão são utilizados por 58% dos entrevistados. Enquanto isso, jornais e revistas (em versões impressas ou digitais) aparecem com 34%.

O avanço das plataformas digitais como principal meio de acesso à informação ocorre em paralelo à consolidação da chamada agenda de integridade informacional no debate público. O debate tem ganhado fôlego no Congresso por conta de problemas relacionados à desinformação e algoritmos de plataformas que amplificam certos conteúdos.

Perfil

O consumo de informação varia conforme o perfil socioeconômico. Usuários das classes AB, com maior escolaridade e acesso à Internet por múltiplos dispositivos, concentram maior frequência de acesso a conteúdos informativos, especialmente em sites e portais de notícias.

Ainda assim, são dois a cada três brasileiros conectados (65%) que afirmam consumir diariamente notícias produzidas por veículos jornalísticos. Mas essa mesma proporção cai para 46% entre jovens de 16 a 24 anos.

Desconfiança

A pesquisa também identificou um cenário de desconfiança e menor engajamento com informações. Metade dos entrevistados disse desconfiar "sempre" ou "na maioria das vezes" de conteúdos publicados por diferentes fontes, incluindo imprensa tradicional, influenciadores e plataformas de vídeo.

"Os resultados estão alinhados com outras pesquisas que apontam uma tendência de queda no engajamento com mídias tradicionais e de redução ou desinteresse pelo consumo de notícias, sobretudo entre os mais jovens", disse o coordenador geral de pesquisa do Cetic.br, Fabio Senne.

Outro ponto destacado foi a dificuldade de parte dos usuários em avaliar a veracidade das informações. Segundo o estudo, 34% concordam, total ou parcialmente, que "não vale a pena pesquisar se as informações que recebo são verdadeiras ou falsas", enquanto 30% afirmam não ter interesse em realizar esse tipo de verificação.

Essa postura está associada a maior dificuldade em distinguir conteúdos verdadeiros de falsos, problema visto com mais frequência entre os mais jovens de sexo masculino, das classes C e DE e com ensino fundamental I incompleto.

Engajamento

O levantamento também aponta limitações no entendimento sobre o funcionamento das plataformas digitais.

Metade dos entrevistados acredita que conteúdos mais compartilhados são necessariamente mais confiáveis, e 45% consideram que diferentes pessoas encontram as mesmas informações ao fazer buscas na Internet.

Por outro lado, há maior compreensão sobre os modelos de negócio dessas plataformas: 61% concordam que redes sociais são gratuitas porque monetizam por meio de publicidade.

"A agenda de integridade da informação vem pautando o debate público internacional, especialmente no enfrentamento da desinformação e na promoção do acesso a conteúdos plurais e baseados em evidências", afirmou o gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa.

A pesquisa foi realizada entre agosto e setembro de 2025, com 5.250 usuários de Internet em todo o País, e também abordou o impacto de tecnologias emergentes.

Segundo os dados, 41% dos entrevistados relatam ter contato diário com deepfakes, enquanto 47% afirmam já ter utilizado ferramentas de inteligência artificial generativa.

Hoje, tramitam na Câmara dos Deputados projetos como o marco regulatório de inteligência artificial, que tem como uma das preocupações o uso de IA generativa para produção de deepfakes.

"Esse é um ponto de atenção para as políticas públicas no campo", afirmou Fabio Senne, do Cetic.br. O centro é ligado ao NIC.br e ao CGI.br.