DE-CIX mira novas regiões do Brasil e da América Latina para expansão de rede
BNamericas - 18/3/2025 - [gif]
Assunto: Infraestrutura de Internet
A operadora alemã de interconectividade DE-CIX (Deutsche Commercial Internet Exchange), considerada a principal provedora de troca de internet do mundo, está buscando datacenters em regiões do Brasil além de São Paulo e Rio de Janeiro, bem como em outros lugares da América Latina, para a expansão de sua rede de pontos de presença (na sigla em inglês, PoPs), apurou a BNamericas.
A empresa está considerando as cidades de Fortaleza e Porto Alegre, conforme revelou o CEO da DE-CIX, Ivo Ivanov, à BNamericas.
Nesta terça-feira (18), a DE-CIX anunciou o go live de seus PoPs nos datacenters da Elea, Equinix e Ascenty em São Paulo, bem como nos datacenters da Equinix e Elea no Rio de Janeiro. Trata-se das primeiras estruturas da empresa na América do Sul.
Os PoPs em São Paulo já estão operacionais e os do Rio de Janeiro deverão estar prontos para operar nos próximos dias, revelou Ivanov durante o evento de infraestrutura digital Capacity LatAm, realizado em São Paulo.
DE-CIX Rio e DE-CIX São Paulo também estão interconectados, permitindo que os clientes acessem soluções de peering e conectividade em nuvem remotamente dentro do Brasil.
Além disso, a empresa está fornecendo interconexão direta com a DE-CIX Nova York e a DE-CIX Lisboa por meio de ecossistemas de cabos submarinos, fornecendo acesso a milhares de redes.
Para se conectar à Europa, por exemplo, a DE-CIX conta com a EllaLink, que opera uma rota do Rio de Janeiro para Fortaleza e de Fortaleza para Lisboa, neste último caso como uma rota direta e de baixa latência.
O próximo PoP do DE-CIX no Brasil pode ser Fortaleza, que conta com 17 cabos submarinos e vários datacenters. Além disso, no ano passado, a capital cearense ultrapassou o Rio de Janeiro como principal hub de troca de tráfego do Brasil, depois de São Paulo.
Ivanov também vê Porto Alegre como um mercado interessante e há conversas sobre um possível futuro PoP na cidade.
Dos atuais parceiros de PoP da DE-CIX no Brasil, a Elea tem um datacenter em operação em Porto Alegre.
Quanto a outras partes da América Latina, Ivanov vê o Chile e a Colômbia como dois mercados interessantes para expansão no longo prazo, ressaltando que o foco da empresa por enquanto será o Brasil.
O DE-CIX foi lançado na América Latina em 2023 por meio de uma estrutura de troca de internet distribuída na Cidade do México e Querétaro. Hospedados nos datacenters da KIO, esses IXPs (sigla em inglês para “pontos de troca de internet”) foram ao ar no ano passado.
“Há vários mercados na região que têm potencial. A América Latina está no nosso radar há algum tempo, e certamente estamos avaliando quais serão nossos próximos passos”, afirmou Ivanov à BNamericas na época, falando sobre expansões além do México.
Assim como no México, os locais da DE-CIX no Brasil estão integrados ao ecossistema global da empresa, fornecendo uma plataforma de interconexão de alto desempenho para provedores de serviços de internet, redes de distribuição de conteúdo, operadoras, provedores de serviços de nuvem e empresas em geral.
A DE-CIX tem PoPs em mais de 600 cidades em mais de 80 países, além de mais de 50 IXPs implantados em todo o mundo. Ela também afirma ter 3.457 números de sistema autônomo (ASNs) conectados em tais pontos, trocando tráfego entre eles. A DE-CIX diz que sua rede global tem capacidade de 174 terabits e um pico registrado de 24,9 Tbps.
ASNs são semelhantes a um número de telefone principal. É por meio deles que as empresas se conectam e compartilham conteúdo no mundo todo.
O Brasil já tem uma das estruturas de troca de internet mais movimentadas do mundo e uma grande base de ASN.
O serviço nacional IX.br, gerenciado pelo serviço de troca de tráfego de internet NIC.br, conecta mais de 3.500 ASNs por meio de 36 IXPs distribuídos em áreas metropolitanas por todo o país.
Em fevereiro de 2024, o IXP de São Paulo, que o NIC.br afirma ser o líder global em volume de troca de tráfego e número de participantes, atingiu um pico de 23 Tbps. O NIC.br contratou a Nokia para atualizar sua capacidade de rede.

