18% das unidades de saúde usam IA no Brasil, diz pesquisa
Núcleo - 13/5/2026 - [gif]
Autor: Jeniffer Mendonça
Número equivale a cerca de 23 mil estabelecimentos dos setores público e privado e a maioria adota chatbots para atividades operacionais, segundo dados da TIC Saúde lançados nesta terça-feira
O uso de inteligência artificial está presente em 18% dos estabelecimentos de saúde no Brasil, segundo dados da 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, lançada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) nesta terça-feira (12.mai.2026). Em estimativas, é o equivalente a 23.667 unidades, considerando os setores público e privado, em 2025.
Essa utilização se concentra em estabelecimentos com internação e mais de 50 leitos (31%), ou seja, hospitais com maior complexidade de atendimento, e nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT), modalidade de exames complementares, (29%).
O principal uso informado se dá pela adoção de modelos de inteligência artificial generativa, por meio de chatbots como ChatGPT e Gemini (76%). Em segundo lugar, está a mineração de texto e análise de linguagem escrita ou falada (52%). Não há diferença significativa por esfera pública e privada nesses quesitos.
Coordenadora de projetos de pesquisa do Cetic.br, Luciana Portilho afirma que o emprego da IA tem se dado especialmente na otimização de tarefas operacionais, como preenchimento de prontuários e organização de processos administrativos, e já demonstra como a tecnologia vem avançando no segmento da saúde.
"A IA generativa é um recurso mais barato e mais acessível. Quando a gente pensa em outras ferramentas, como reconhecimento de processamento de sinais de imagem e aprendizagem de máquina, o percentual é menor, porque são recursos que têm um custo mais elevado e que têm questões mais sensíveis no uso dos dados dos pacientes", explica.
Já os estabelecimentos que não usam IA justificaram que não é uma prioridade (62%), não há interesse ou necessidade (53%) e faltam pessoas capacitadas para utilizar (49%). A pesquisadora sinaliza ainda que a falta de regulação sobre o tema gera receios e inibe a implementação.
"Essa parte mais voltada para o diagnóstico do paciente ainda está sendo mais desenvolvida. Acredito que, quando a gente tiver uma regulamentação direta sobre isso, os próprios profissionais vão se sentir mais seguros e compreender melhor como que eles podem usar essa tecnologia em benefício do paciente, com questões éticas e regulatórias bem definidas, bem claras", aponta.
A TIC Saúde realizou entrevistas por telefone e questionários online com 3.270 estabelecimentos de saúde em todas as regiões do país, compreendendo equipamentos de atenção primária, unidades com mais e menos de 50 leitos, com e sem internação, além da modalidade SADT em 2025. É a primeira vez que a pesquisa incluiu questões relacionadas ao uso de IA.

